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Mamatraca

Maternidade e Carreira

Sexta Feira, 8 Mar. 2013

PENSAMENTOS SOBRE CARREIRA E MATERNIDADE PARA MULHERES E MÃES FELIZES

Na última semana estivemos promovendo debates  sobre os dilemas que as mulheres enfrentam quando lutam para conciliar suas vivências maternas e profissionais. Levantamos com nossas leitoras, especialistas e amigas 12 pensamentos importantes para quem está sempre tentando manter as importâncias da vida em equilíbrio. Feliz dia das Mulheres para todas nossas queridas leitoras, que como nós esforçam-se dia a dia para exercer uma materidade plena e conciliar todas as outras infinitas demandas que existem no simples fato de sermos: MULHERES!

Maternidade e Carreira

Sexta Feira, 6 Jul. 2012

UMA FILHA EM MINHA CARREIRA

Lançamos um desafio à nossa querida Tati Weiss, uma das primeiras participantes da nossa Colcha de Retalhos. Rever o vídeo que gravou quando sua filha estava com 2 meses, e ela ainda em licença maternidade, e comentar agora, 7 meses depois. Nesse texto ela fala de suas escolhas, decisões e prioridades de forma extremamente verdadeira.

 

Por Tati Weiss

 

Faz alguns dias a Carol me reenviou meu primeiro vídeo para o Mamatraca, no inicio do meu projeto maternidade, quando trataram sobre o tema carreira e maternidade. Naquela época estava prestes a retornar ao trabalho, em uma época extremamente difícil do pós-Laura, e via a retomada das atividades em um novo emprego como uma espécie de tábua de salvação para uma avalanche que me levou embora a saúde física e mental por um tempo considerável. Não escondo de ninguém que sofri uma forte depressão após as primeiras duas semanas do parto. Não sei se tarjaria de DPP, prefiro dizer que foi uma depressão em relação a mim mesma e a minha nova vida, que precedeu ao parto. Busquei ajuda, superei e reentrei o mundo do trabalho após 3 meses e meio full time mom. Tive um pequeno conflito em relação a voltar ou não a trabalhar fora, muito em razão de uma cobrança excessiva em ser uma BOA mãe, da qual sofro muito em relação a praticamente tudo, mas rapidamente assumi que não seria capaz de ser uma boa mãe se me dedicasse exclusivamente a Laura. Seria infeliz e pronto. E agora me permito admitir uma heresia: a minha primeira semana de trabalho, saindo de casa as 8h e voltando as 18:30, foi a minha semana mais feliz pós maternidade até então. Não porque não amasse a minha filha, porque amava profundamente, mas porque não sabia quem eu era mais naquela nova rotina de dona de casa, mãe, administradora de terceiros (baba e empregada), com marido viajando a semana inteira, sem família, absolutamente só. Sendo assim, a minha volta ao trabalho representou para mim o primeiro passo na minha redescoberta da identidade. Mas nem tudo foram, ou são, flores nessa história. Antes da Laura eu era uma profissional autônoma, uma empresaria, e após o nascimento dela passei em um processo seletivo para assumir um trabalho como CLT em uma empresa que admiro demais. Tudo perfeito? Claro que não. Esse trabalho, apesar de fascinante, não mais me permite a flexibilidade de horário que antigamente eu tinha. Apesar de reduzidas as viagens, sempre soube que elas existiriam e que fariam parte de um grande teste de competência pessoal e profissional.  Ganhei em estabilidade e relacionamento, perdi em flexibilidade e autonomia. Olhando meu vídeo e tudo o mais que aconteceu nesses últimos 11 meses e meio, ainda sinto que ganhei mais do que perdi, mas existe sempre uma espada pendendo sobre a minha cabeça. Amo minha filha, ela é minha prioridade, e com isso perdi a minha capacidade de ser a melhor profissional que gostaria de ser. Sim, perdi competitividade no mercado de trabalho. Sim, sofro um estresse tremendo quando tenho que organizar uma logística absurdamente gigantesca para passar uma noite fora de casa ou até mesmo para chegar um pouco mais tarde, pois minha baba vai embora assim que chego do trabalho e o terceiro turno é exclusivamente meu. Sim, hoje em dia a minha vida é dividida em três grandes responsabilidades - a Laura, meu trabalho e a Administração do lar - e com isso todos os chamados "outros papeis" (leia-se mulher, esposa, amiga, etc) ficaram relegados a algum lugar no futuro. Costumo dizer que a maternidade foi um tsunami na minha vida, e que a água ainda não baixou. Ainda não sei qual o tamanho da destruição ou o que vou conseguir reconstruir depois dela. A única certeza que tenho é que minhas prioridades mudaram, minha vida mudou, eu mesma mudei. A maternidade não é um novo papel, algo que foi somado a minha vida, mas foi um ponto de mudança, um evento transformador da minha própria identidade. E com isso ainda estou lutando para aceitar que a conciliação entre a maternidade e a carreira só será possível quando eu ficar em paz com um novo padrão de exigência em relação ao meu eu enquanto profissional. Não posso ser mais a melhor profissional que gostaria de ser, mas devo ser a melhor profissional que poderei ser. E, tomara, possa ser reconhecida e perdoada tanto pela minha filha quanto pelos meus chefes, colegas, amigos e família.

Maternidade e Carreira

Quinta Feira, 5 Jul. 2012

O SUCESSO NÃO É UM ORFANATO PARA OS FILHOS

 

Retomando o assunto Maternidade e Carreira, impossível não lembrar a entrevista que que fizemos com Ana Clara, a autora de um blog referência sobre o mundo corporativo que arrebata uma infinidade de fãs e seguidores com sua sensibilidade e perspicácia. Executiva de RH, usa de forma anônima o blog A Monga e a Executiva (amongaeaexecutiva.blogspot.com) para descrever como poucos o cotidiano das empresas de forma leve, ágil e cômica. Nessa entrevista exclusiva para o Mamatraca, ela abriu seu coração e tirou a sua proteção de Monga  em que fala sobre maternidade e carreira.  

 

Monga, apresente-se. De que ponto de vista você fala de maternidade e carreira: da sua própria experiência ou da sua vivência como consultora na área de RH?

 

A Monga é uma personagem que eu (Ana Clara, uma executiva de 35 anos) empresto a um montão de pessoas para compartilhar os momentos mais intensos da minha rotina, seja romanceando situações reais, ou refletindo sobre aspectos prosaicos que acontecem no palco das empresas. Minha experiência na área de Gestão de Carreira é um grande mergulho na afetividade das pessoas. É só desta forma que eu concretizo qualquer possibilidade de mudança, de obtenção de metas e de satisfação profissional. Maternidade e carreira quase sempre são encaradas como situações conflitantes no campo de interesses do coração. Esta eterna dicotomia vem com uma cerejinha pro bolo da vida apressada: o sentimento de culpa (este grande ladrão da felicidade). As situações as quais vivencio, as mulheres que conheço, as mães com quem convivo, me ensinam preciosas lições de sobrevivência.

 

O dilema carreira X maternidade é um dos causadores das maiores angústias entre as mulheres. No seu caso, não ter filhos foi uma opção para poder se dedicar à carreira?

 

Ter ou não ter filhos, no meu caso, não passou pela análise de carreira. Na minha história pessoal tenho tentado há muitos anos firmar minha condição de filha. Minha mãe abdicou da convivência dos filhos para cuidar daquilo que lhe pareceu satisfazer a alma durante 30 anos: sua carreira como socióloga, educadora e política. É uma mulher fálica, forte, comandante de grandes feitos e bancou sua escolha sem grandes traumas. Quando dei licença às minhas emoções, me enxerguei espelhada neste modelo de mulher empreendedora, executiva, líder, mas com necessidade de resgatar o amor materno emprestando meu carinho e minhas idéias sobre conciliação de objetivos para muitas mulheres que fazem parte da minha rotina. O sucesso não é um orfanato para os filhos. Se assim o for, teremos adultos com lideranças impositivas e quase nunca afetivas.

 

Mas você acha possível conciliar carreira e maternidade?

 

Enquanto as mulheres enxergarem a carreira como uma subtração da condição materna, será impossível. Reconheço que as empresas não adotam um regime de “aleitamento” emocional a estas mães empurradas às expectativas do mercado... As empresas desejam usufruir até a última gota de produtividade com a desculpa indecente de que vivemos uma época de “poder feminino”. O poder feminino está no sentir.... não no agir, especificamente. Sou chatinha, sou cri cri, não acredito em política de igualdades no terreno corporativo. É justamente reconhecendo as diferenças, as necessidades maternas (por exemplo), que alguma mudança bombástica nos faria sorrir na segunda-feira pela manhã.  As mulheres que hoje estão no topo, em sua maioria, admitem que seus filhos tiveram de ser criados por babás ou pelos avós porque elas tiveram que abrir mão da vida pessoal para conseguirem o sucesso profissional.

 

Você acha que isso tende a mudar nas próximas gerações?

 

Como em toda estrutura influenciada pela cultura, as mudanças estão nas mãos da Luísa, da Rafaela, e de toda esta criançada cuja capacidade crítica é infinitamente maior do que a nossa. Ao longo dos meus 18 anos de mercado coleciono perguntas interessantes e respostas nada contundentes. Abrir mão dos filhos contradiz o modelo de felicidade profissional no qual acredito. Quando alguém me lança o questionamento “Ah, mas uma mulher dedicada só aos filhos sem ter autonomia e realização profissional é uma mulher frustrada!”. É... pode ser. Se esta mulher deseja efetivamente alavancar sua carreira basta reforçar o vínculo materno. Não tenho fé de ofício para teorizar à luz da Psicologia, mas, nenhuma criança suficientemente acolhida condena a mãe que está ralando todo dia. A cronologia infantil é qualitativa. A cronologia do adulto é a dos ponteiros do relógio. Torço para que as próximas gerações rompam este lacre de “coitadismo” e que as mães se absolvam pelas ausências circunstanciais.

 

Você consegue identificar de longe uma mulher que é mãe em uma reunião? Como?

 

Mães não dão suas pistas exclusivamente pelo comportamento. Esta coisa de mãe mastigada igual chiclete, sem vaidade, de roupa amarrotada é uma caricatura irreal. O lugar onde as mães dão seus sinais na corporação é no campo dos sentimentos. As mulheres que tem filhos são as menos disponíveis para o irreconciliável. São as mais francas, são as mais sorridentes, são as menos preocupadas com falhas pequenas, são as mais bonitas. Eu sei o nome de todos os filhos de cada uma das executivas, das funcionárias, das secretárias, das faxineiras, por onde passo diariamente. Uma menção ao filho é a chave-mestra pra funcionalidade plena de uma mulher.

 

Você ainda vê preconceito por parte das empresas em relação às profissionais que são mães, especialmente as de filhos pequenos?

 

Já tive discussões intermináveis com CEO’S, com Diretores e Conselheiros de RH. Num de meus rompantes diante da intransigência de certa empresa (que não queria liberar a mãe para uma reunião de escola do filho de 3 anos) eu pontuei de forma nada gentil: “Ok. Se você não quer liberar para atender a um apelo da HUMANIZAÇÃO, o faça encarando como um reconhecimento no investimento de perpetuação da escravidão. Vai lá, libera a sua funcionária porque ela precisa estar com o novo equipamento que em alguns anos vai servir a esta instituição quando ela estiver avariada e sem utilidade”. Lógico que foi uma situação exagerada – mas fica a ilustração. As empresas não se tocam! Simplesmente não se tocam! Encaram a vivência de mães e filhos como “pauta menor”. Na realidade esta é a mais rentável capacitação na qual se pode investir: permitir que as mulheres atuem de corpo e alma no trabalho, sabendo que o “coração externo”, ou seja, o filho, está no ninho, devidamente feliz.

 

O que é ser uma boa empresa para a mulher que é mãe trabalhar?

 

Boa empresa não prega cartaz sobre aleitamento materno. Não faz só creche pra distrair nenéns. Não faz festinha junina. Não traz Papai Noel em dezembro. Isso é alegoria circunstancial para distrair os olhos do massacre. Esta é a política que dá benefícios pra te sugar melhor. Fazer cumprir exigências da lei extrapola o terreno de “ser bacaninha”. É obrigação. Boa empresa acolhe. Promove discussões sobre os sentimentos. Paga pela sua performance e também paga por te roubar do filho. Acresce seu salário com a política de compreensão do papel materno. Boa empresa quer saber como teu filho se chama. Boa empresa faz uma adequação de cargos e salários e não te promove a Sênior um ano depois de dar à luz. Não te manda viajar na véspera do feriadão – sabendo que outra pessoa poderia cumprir isso numa boa. Boa empresa sabe que uma mãe é um investimento vitalício – literalmente.

Maternidade e Carreira

Quarta Feira, 4 Jul. 2012

NA EMPRESA, COM AS CRIANÇAS

Uma das maiores dificuldades da decisão de voltar a trabalhar é ficar muitas horas sem ver os filhos. Mas será que tem que ser assim? O Mamatraca retoma um dos mamaviews mais legais que já fez e reapresenta uma empresa que tem um berçário no local de trabalho e facilita a vida de muitas mães!

Maternidade e Carreira

Terça Feira, 3 Jul. 2012

AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO PROJETO MATERNIDADE

Nos próximos dias sentarei com meu chefe para conversar sobre minha carreira, sobre as metas que me propus, sobre treinamentos e desenvolvimento pessoal. É um momento importante para definir os meus próximos passos dentro da empresa, ter feedback sobre meu desempenho e identificar pontos de melhoria. É o momento que vou saber se a empresa me enxerga como uma líder potencial e, quem sabe, sinalizar sobre a minha promoção.

Acontece que esse ano não aperfeiçoei o inglês ou comecei a estudar espanhol. Não fiz os cursos que constavam no meu Plano de Desenvolvimento Individual, não participei de congresso, não apresentei paper, nem fui gerente de projeto importante. Tive que faltar algumas vezes ao trabalho, mas sempre por motivos sérios e justificáveis.



Mas isso não significa que não tenha desenvolvido minhas competências. Veja bem:

 - Trabalho no projeto mais importante de todos os tempos,  a maternidade, com sucesso. Não sei se os clientes estão 100% satisfeitos, mas que estão risonhos, gordos e engatinhando, isso eu garanto. Este foi um ano de dedicação intensa a esse projeto. Posso não ter o reconhecimento dos meus gestores e fornecedores, mas certamente os clientes estão bastante animados com as possibilidades de crescimento.

- Desenvolvi minha experiência como líder de funcionários próprios (empregada e babá) e terceirizados (escolinha e pediatra).

- Não fiz cursos, mas aprendi na prática a lidar com imprevistos, a negociar prioridades, a abrir mão de desejos pessoais em prol dos meus pequenos - mas exigentes - clientes.

 - Passei por um curso intensivo de administração do tempo, definindo quem mamaria primeiro, quem dormiria primeiro, quem tomaria banho primeiro, estabelecendo uma rotina precisa de atendimento aos clientes.  Não trabalho com atrasos nas atividades fraldas, alimentação, sono e banho.

- Todo o projeto aconteceu sem estourar o reduzido orçamento, o que é quase um milagre. Isso também está ligado ao bom estabelecimento de prioridades e de uma planilha de custos milimetricamente acompanhada.

- O projeto é exaustivo do ponto de vista físico e emocional. Trabalho muitas vezes no limite e, mesmo assim, faço todas as atividades diárias propostas. E, ao final do dia, mantenho um sorriso de satisfação pelos resultados alcançados e a visão otimista sobre o futuro do negócio.

- Desenvolvi a capacidade de tomar decisões em situações de estresse: quem pegar primeiro quando os dois choram ao mesmo tempo? O que fazer se a criança já está na banheira e eu me dou conta que esqueci o sabonete?  Como cuidar dos dois sozinha quando a equipe terceirizada está de folga e o marido viajando?

- As relações com terceiros envolvidos (marido, família e amigos) continuam estáveis. Invariavelmente surgem algumas reclamações por falta de dedicação, mas consigo administrar a cobrança e mostrar que essa dedicação ao projeto maternidade vai trazer benefícios para o futuro dos clientes.

- Apesar de ser um pacote dois em um, consigo perceber e atender as diferentes demandas dos clientes. Esta é uma competência importante para quem tem mais de um cliente para atender.

- Não lanço dados no Project, mas a base proposta (agenda da escolinha) está sempre atualizada.

E ai, não mereço uma promoção?