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Mamatraca

Família

Sexta Feira, 31 Ago. 2012

O QUE VOCÊ SABE SOBRE FAMÍLIA?

 

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Família

Quinta Feira, 30 Ago. 2012

HISTÓRIAS DE FAMÍLIA: EU TAMBÉM SOU SOBREVIVENTE

O Mamatraca traz hoje a história da família da querida Luciane Slomka, uma dessas amigas que a gente leva no coração. Ela é judia e neta de judeus que foram presos na II Guerra Mundial mas que conseguiram fugir de campos de concentração e que, nesse contexto, formaram uma nova família. Neste relato emocionante, ela fala sobre as marcas que a guerra deixou em sua família e de como também se sente uma sobrevivente.   

Família

Quarta Feira, 29 Ago. 2012

ENTREVISTA: FAMÍLIA TIBA - IÇAMI E NATÉRCIA

 
 
Vocês acreditam que os valores de família estão se perdendo ou modificando ao longo do tempo?
 
IÇAMI - Alguns valores foram perdidos e, outros, modificados.
Ao tentarem modificar alguns valores e não achando substitutos atuais, eles acabaram perdendo-se. Assim aconteceu com o “valor autoridade dos pais”. Antes, pais eram obedecidos pelo autoritarismo; não achando um substituto atual para o autoritarismo, pais são submissos aos filhos. Isto porque, ao perderem a autoridade autoritária, perderam também a autoridade educativa.
 
As sensações de perda tem a ver com o que se sente falta, já a sensação de ganho com o usufruto. Não há como as famílias formarem “ilhas do passado” num mundo globalizado onde a comunicação se faz com um toque no teclado ou tela em tempo real. Numa linguagem cibernética, posso dizer que a família está trocando de chip, mudando algumas direções, sem ter largado o chip obsoleto e sem saber como usar um chip novo que, em alguns casos, ainda não existe ou está em construção.
 
Está cada vez mais claro que a família é a responsável pela formação da personalidade de um futuro cidadão, enquanto a escola o capacita profissionalmente. Ambas, família e escola, são parceiras nesta educação integrada. Valores familiares intangíveis não dependem da escola e nem a profissionalização global cabe à família.
 
Acredito que os filhos foram educados sem a preocupação com valores, intangíveis, que lhes acompanharão a vida toda, como: gratidão, reciprocidade, religiosidade, disciplina, cidadania familiar, ética etc. A escola também não conseguiu passar a importância do “aprender sempre”, do “atualizar os conhecimentos”, a importância de incorporar na sua vida as experiências alheias, que deram certo.
 
De maneira assim colocada, fica bastante claro que as famílias estão criando e buscando soluções, cada uma à sua maneira, para superar esta falta de modelo educativo familiar.
 
 
 
NATÉRCIA - A família de hoje é diferente da família de décadas atrás, mas não significa que os valores estejam se perdendo. A palavra família se tornou algo mais amplo, há novas possibilidades de configurações. O formato tradicional de família nuclear (pai-provedor, mãe-dona-de-casa e filhos) vem sofrendo grandes transformações e os valores acabam sendo revistos. Se olharmos para as famílias de hoje presos ao modelo antigo, acharemos (como muitos) que é uma 'instituição falida'. Se formos mais flexíveis e atualizarmos também nosso olhar, perceberemos transformações (e como sempre há perdas e ganhos).
 
Nem sempre é fácil ter esse novo olhar. Foram décadas para derrubar os preconceitos em relação ao divórcio (e ainda há resquícios). Mas ele foi uma das primeiras peças de um caminho de dominós. A partir dele e da inserção da mulher no mercado de trabalho, muitas outras mudanças vêm ocorrendo e de forma mais acelerada. Para muitos, a velocidade com que vêm acontecendo, não tem permitido uma compreensão, assimilação e revisão dos valores. Percebe-se as perdas mas os ganhos ainda não estão bem consolidados ou perceptíveis.
 
As relações afetivas têm mudado muito. De modo geral, a mulher está mais independente, vem se valorizando e se fortalecendo, com isso muda sua postura dentro do casamento. Permanecem casadas por opção e não mais porque "precisam" sustentar a relação por dependência ou por uma construção social (expectativas e preconceitos).
 
Isso é ruim? Não necessariamente. Se as relações se tornarem descartáveis e as pessoas desistirem diante de qualquer dificuldade, sim. Mas ao mesmo tempo, a idéia de poder ser feliz consigo e ver o companheiro como uma escolha de parceria e não um alicerce, é muito saudável.
 
Essas mudanças nas relações afetivas interferem diretamente na educação dos filhos. Muitos crianças não vivem mais o "foram felizes para sempre" como única e mais correta forma de se relacionar. Essa "família em revisão" está inserida num contexto maior, numa sociedade capitalista, consumista onde tudo se torna perecível com muita facilidade, o que pode reforçar a idéia de relações descartáveis. Precisamos ficar atentos a esta armadilha. A meu ver, a banalização das relações humanas seria uma das maiores perdas para o indivíduo e para a sociedade.
 
Pensando de um modo otimista (como gosto e costumo pensar) os novos padrões familiares trazem a possibilidade de importantes aprendizados, de flexibilidade nas relações e de ter uma preocupação de cultivá-las já se tornam mais frágeis. Se estivemos atentos, o valor do relacionamento pode sim se fortalecer.
 
Olhando para a família de hoje como diferente (sem julgamento de certo e errado), gosto de pensar na idéia de reciclagem e sustentabilidade como novos valores não só para a sociedade mas também para a família. A reciclagem seria a possibilidade de rever as relações, refazer acordos, atualizar-se à nova realidade, um processo dinâmico, uma forma da família se adaptar e se ajustar às transformações. A sustentabilidade aparece então como um resultado positivo dessa reciclagem familiar. Novas formas vão surgindo, acordos afetivos e práticos vão sendo revistos para que a família seja beneficiada como um todo (nem sempre de forma igualitária mas com saldo positivo sempre). Pensar na família em constante reciclagem e focada em sua sustentabilidade é interessante e desafiador, podendo trazer como resultado famílias mais felizes dentro da configuração que for (dentro do padrão vigente ou não).
 
 
 
É mais difícil educar filhos quando se tem uma família "mosaico" ou os desafios são os mesmos?
 
IÇAMI - O ato de educar depende da capacidade de relacionamento de cada um dos seus integrantes. Pessoas sem esta saúde (egoístas, autoritárias, complexadas, preconceituosas, sem ética, sem cidadania etc.) dificilmente constroem bons relacionamentos. Em consultório, atendo tanto famílias “mosaico” que se dão muito bem entre si e os filhos são bastante saudáveis, como famílias tradicionais cujos filhos mostram-se um desastre no campo educativo. O que percebo é que casais unem-se facilmente, levianamente, sem o respectivo compromisso do amor e a responsabilidade para arcar com as consequências do relacionamento. Isso faz com que acabem não suportando as entradas de responsabilidades familiares conjugais e, posteriormente, paternagem e maternagem.
 
Para estas famílias levianas, a separação também é super problemática. É preciso ter saúde relacional para ser adequado tanto para se unir quanto para se separar. Cônjuges podem separar-se. Mas não há ex-pai nem ex-mãe.
 
As famílias “mosaico” saudáveis contam com a criatividade e o respeito individual (a si e aos companheiros). Valores estes que são necessários também nas famílias tradicionais.
 
 
NATÉRCIA - Não colocaria como mais fácil ou mais difícil, diria que há alguns desafios diferentes para os quais muitos de nós ainda não está preparado. As famílias redesenhadas trazem situações novas, antes impensáveis. Quando há possibilidade de refletir e dialogar, o ganho pode ser muito grande. Os vínculos são diferentes, perdem o caráter de amor incondicional, o que pode fazer com que sejam mais cuidados. Quando famílias diferentes se unem, cada uma traz uma bagagem diferente. Nem sempre é fácil criar uma unidade nessa família. Se pensarmos em unidade em termos de serem todos iguais, será impossível, mas se pensarmos em unidade como a soma dos diferentes que pode dar em algo maior do que a simples junção, esse universo complexo se torna um terreno fértil.
 
Quando uma família se compõe fora do padrão que predominou por tantas gerações, precisamos buscar novas formas de se relacionar e conviver. Podemos ampliar o olhar para o outro, assim como podemos nos tornar intolerantes.
 
A família "mosaico" que percebe que as outras peças, de outras cores podem formar uma nova composição, sai ganhando. Quando se "convive" com as diferenças, há complementaridade e portanto, muitos ganhos. Quando se "tolera" as diferenças, provavelmente nem se chegará ao mosaico, permanecerá um aglomerado apenas.
 
No convívio da família "mosaico", alguns desafios que existem nas famílias tradicionais podem aparecer com mais intensidade, como estabelecer os limites das relações (até onde cada um pode ir sem machucar o outro), compreender os diferentes papéis (o quanto um padrasto pode ter de autoridade na educação, por exemplo), construir uma intimidade (que não vem do brincar junto desde pequeno), conviver com as diferenças (uma convivência decorrente de uma escolha e não porque "nasceu" naquela família), rever e repensar constantemente os conceitos e julgamentos de certo e errado. Acredito que estes sejam os maiores desafios das novas configurações familiares.
 
 
 
Essa nova realidade de comunicação virtual aproxima ou afasta as famílias? Como tirar proveito desse modelo e fazer dessas novas relações uma experiência positiva?
 
IÇAMI -  Não há como dispensar os atuais avanços tecnológicos dos nossos filhos, pois estes pertencerão ao Kit de Vida do futuro deles. Os pais cometem um grande erro quando entregam aos filhos recursos que eles próprios desconhecem. O erro não é fornecer o recurso, mas sim o de não querer aprender com eles o que não sabe sobre estes recursos. Pedir a um filho que lhe ensine a mexer no computador, a entrar num site, a fazer uma pesquisa na Internet, mostra honestidade de não saber e o desejo de aprender. Isto faz um incomensurável bem ao filho: saber- se professor do seu próprio pai ou mãe. O que estraga no virtual é os pais se colocarem como incompetentes e incapazes de aprender com os filhos. Isso dá ao filho um poder que, dependendo da educação recebida, pode ser usado para benefícios próprios e não para trazer o bem para a família.
 
Assim, os pais que simplesmente aceitam o fato de não lidarem bem com a tecnologia e não utilizam isso como uma forma de aproximar-se do filhos estão abrindo uma enorme distância entre o mundo em que vivem e o mundo “avançado” dos filhos.
 
 
NATÉRCIA -  Essa nova realidade de comunicação virtual não tem poder em si mesma, é o uso que se faz dela que a torna um instrumento de afastamento ou aproximação. Quando os pais não se atualizam, a desconhecem, não procuram entendê-la cria-se um abismo com a realidade dos filhos. Numa mesma família, dentro de uma mesma casa, temos a geração do telefone e e-mails e a geração das mensagens e redes sociais. Pode parecer uma diferença pequena, mas leva a desencontros e, com isso, afastamentos.
 
Quando os pais se interessam e interagem com esse mundo virtual (tão natural para os filhos), além de acrescentarem um canal a mais de comunicação (e muito eficiente por sinal), adotam uma postura que fortalece o vínculo com os filhos. Quando os pais se interessam pelo universo dos filhos, por mais distante que pareça, há ganhos significativos. Mostram que podem aprender com os filhos, saem do lugar de "detentores de todo poder e conhecimento" e valorizam o filho. Ao mesmo tempo, a hierarquia se mantém, pois ao compreender aquele universo, o pai saberá estabelecer limites adequados e ter consciência dos riscos envolvidos e com isso fortalecerá seu papel de educador. Ao mesmo tempo, a postura de "interessar-se pelo que encanta meu filho" é um gesto de amor e um modelo de relacionamento. Assim, com o tempo, é natural que os filhos também tenham mais interesse pelo universo dos pais e com isso pode vir uma troca muito rica. Amplia-se as formas de convívio e comunicação.
 
Ao mesmo tempo que os pais têm muito a aprender com os filhos, os filhos perceberão que tem muito a aprender com seus pais (e avós). As gerações anteriores conhecem bem o prazer de estar junto, sentar perto, conversar olho no olho, falar sobre coisas sérias e também jogar papo fora. E esse universo deve ser levado aos filhos e cultivado na família. A comunicação virtual é prática, eficiente, rápida, mas não substitui o convívio presencial. Os pais aprenderão a usar o Skype com naturalidade assim como os filhos podem e devem conviver, 'deitar na rede' e papear e entender que houve uma época em que se usava um móvel chamado 'namoradeira', no qual duas pessoas sentavam bem próximas, frente a frente, olhos nos olhos para conversar.
 
Dessa forma, tanto a geração anterior quanto a nova têm importantes contribuições. O importante é achar uma forma que seja possível para ambos. Se cada um usar uma língua, deixam de se falar. Nem oito, nem oitenta. Deve haver flexibilidade de ambas as partes. Os pais precisam se atualizar e usar o meio de comunicação que é o mais natural para os filhos, e paralelamente a isso, devem ensinar ao filho, a deliciosa arte de conviver, assim o filho saberá que apenas mandar mensagem para os pais não basta, que relacionar-se é também estar junto e que estar junto presencialmente é um enorme prazer.
 
Acredito que as novas formas de comunicação possam agregar, e muito. O meio virtual não substitui o presencial, mas é um meio de se relacionar sim. Ensinar o filho a andar de bicicleta é maravilhoso, mas conhecer os videogames que encantam o filho e jogar junto é uma outra forma de estar junto e também pode ser muito legal e significativa.
 
 
 
As famílias cobram que os filhos tenham um comportamento e respeito ao próximo, mas no dia a dia vimos pais dando inúmeros exemplos que ilustram o contrário - brigam no trânsito, maltratam empregados, têm atitudes preconceituosas, não dão atenção. Que consequências esse tipo de atitude pode gerar?
 
IÇAMI - Crianças aprendem imitando. Criança vê criança faz, mesmo que não entenda o seu significado. Pode ser que o que estejam aprendendo ainda não tenham condições de expressar, porém as sementes de tais maus comportamentos já estão instaladas para num futuro, se houver oportunidade, elas possivelmente germinarem. Um observador não precisa ser perspicaz para perceber o quanto os briguentos pai e filhos ou mãe e filhos são muito parecidos entre si. Entretanto, mesmo que os pais sejam bem educados, se não tiverem autoridade educativa, facilitarão as horríveis brigas entre irmãos. Os irmãos brigam entre si quando não respeitam uma autoridade educativa maior que deveria ser do pai ou da mãe. Infelizmente a biologia atrapalha a psicologia no quesito educação de filhos pois basta serem pais biológicos que são obrigados a saberem educar seus filhos. Esta educação é uma competência que tem que ser construída entre pai-mãe-grande família. Quando os pais aprenderem que se pode aprender a ser pai e a ser mãe, através de projetos educativos, muitas filhos serão beneficiados.
 
Enquanto mãe ou pai forem donos do saber só pela paternidade ou maternidade biológica, torna-se difícil uma educação baseada em conhecimentos especificamente construídos para a formação de um filho que tenha independência financeira, autonomia comportamental e cidadania ética. Ainda hoje há pais que mudam a receita de remédios que o médico consultado passou porque não concordam, porque acham que são fortes demais ou porque a vizinha conhece outro remédio, que diz que é melhor...
 
Assim, alem do exemplo que a criança tem, as suas atitudes futuras também serão determinadas por outros fatores, entre eles a educação que a família optou por dar à criança, a gratificação que a criança tem pelas suas atitudes, e pela adoção do sistema de meritocracia na educação.
 
 
NATÉRCIA - O maior exemplo que os filhos têm são as atitudes dos pais e não o discurso que fazem. Pais que agem assim, estão ensinando não só preconceito, desrespeito e falta de auto-controle mas também hipocrisia. Palavras educativas separadas de atos não valem nada, são apenas símbolos, nada mais. Os valores devem ser vividos, aparecer nas atitudes dos pais e não só com pessoas de fora, mas dentro da própria família. A intimidade não pode e nem deve corroer as relações. É muito comum pensarem que, por serem íntimos, da mesma família, mesmo sangue não precisam medir as palavras, pensar antes de agir... Precisa sim. Precisa ser cuidadoso nas relações sociais e principalmente nas familiares, onde começam os valores.
 
 
PARA IÇAMI - Ser um especialista em educação aumentou o peso da responsabilidade na educação dos seus filhos? Você conseguiu praticar com eles aquilo que ensina?
 
Não me acho pai mais ou menos responsável com os meus filhos por ser eu terapeuta e educador, além de médico. Não resta dúvidas que os pacientes e leigos formulam pensamentos do tipo: filho de terapeuta é psicologicamente saudável, tem bons comportamentos, tira boas notas etc. Quando apresento meus filhos a pessoas que eles não conhecem, algumas dizem: “vocês têm que andar na linha para não desmerecerem seu pai!” ao qual costumo jocosamente acrescentar: “Meus problemas, eu herdei dos meus filhos!”
 
É do meu feitio não funcionar somente com um plano A, não trilhar um caminho único, não buscar somente uma solução, não ter somente um alvo a atingir. Aplico em tudo o que faço, tudo o que sei, sejam eles os atos mais simples até os mais complicados. Aplico em tudo os bons resultados que tenho na minha prática. Assim, uso com os meus pacientes o que aprendi com os meus filhos e vice-versa.
 
Tenho 3 filhos e cada um deles me deu alegrias únicas, como se fossem filhos únicos, graças à Super mãe M.Natércia com quem tenho a felicidade de casar há 43 anos. Até hoje, tudo é motivo para nos juntarmos em família.
 
 
 
PARA NATÉRCIA - As pessoas acham que, por ser filha de um especialista famoso em educação, não houve erros na sua casa? O que você aprendeu com seu pai que usa hoje na sua experiência como mãe?
 
É verdade que existe uma grande idealização do Içami Tiba enquanto pai e minha enquanto filha (bem como da família, como se nossa família fosse perfeita). O que meu pai ensina e diz vem de uma longa experiência enquanto profissional e também enquanto pai.
Ele não acertou sempre, mas esteve sempre perto e fazendo o melhor que pôde. Mesmo trabalhando muito como residente de medicina, foi um pai presente. Na minha família, por mérito não só dele, mas muito pela minha mãe também, sempre houve muito diálogo, sempre foi possível conversar e resolver o que não estivesse bom para um de nós.
Essa pergunta me despertou algumas lembranças que acredito que tenham consolidado valores muito importantes dentro de mim e hoje vejo que faço da mesma forma como mãe e isso me deixa muito feliz. Todos os dias, todas as vezes que meu pai cumprimenta alguém, ele pára e olha nos nossos olhos ao dizer: "Tudo bem?". Esse gesto me marcou muito quando criança, esse olhar dele sempre chegou como um carinho, era um "tudo bem?" nada mecânico mas sim de alguém que realmente queria se interessava. Parece uma coisa simples, mas é uma postura de estar atento e disponível para o outro que muda tudo.
 
Outra lembrança muito significativa foi quando eu, ainda pré-adolescente, perdi minha cachorrinha. Ela faleceu e eu sofri muito. A forma como ele e minha mãe me acolheram, validaram meu sofrimento (sem entrar na questão de ser uma animal) foi um enorme aprendizado de acolhimento. Sem dúvida esse fato pesou muito na escolha da minha profissão. Meu pai não questiona o sofrimento das pessoas, ele o acolhe. Foi isso que ele fez comigo e isso virou um lema para mim. Posso não entender ao certo porque uma situação gera tamanho sofrimento, mas todo sofrimento é real e merece ser acolhido.
 
Para encerrar, porque preciso me limitar ou essa resposta não teria fim (risos), é o olhar que meu pai tem para o mundo. Ele tem um olhar curioso, refere a si mesmo como "observador social". Muitas foram as situações desde a minha infância em que ficávamos muito tempo observando e comentando o que víamos, desde fenômenos naturais até mesmo relacionamentos interpessoais. As observações nunca foram com julgamento ou crítica, mas com um despertar para diferentes formas de existir e ser no mundo. Sou muito grata a ele por todo esse aprendizado.

 

Família

Terça Feira, 28 Ago. 2012

COMO FICOU A RELAÇÃO COM A SOGRA DEPOIS DO NASCIMENTO DAS CRIANÇAS?

Criar uma família traz mudanças e, consequentemente, adaptações. Todos dão um passo a frente quando tornam-se pais, e as configurações familiares mudam. Nesse contexto entra a figura da sogra: tem quem a ame e quem a odeie, mas é (quase) impossível ficar indiferente a essa figura tão polêmica. Nesse Mamatraca quer Saber, Priscilla fala da saudades que sente da sogra falecida, das adaptações que ambas precisaram passar após o nascimento das meninas e que com bom senso tudo se resolve. E a relação com a sua sogra, como ficou após o nascimento de seus filhos? Mamatraca quer saber! 

Família

Segunda Feira, 27 Ago. 2012

CRIAR OS FILHOS COM OU SEM A AJUDA DO RESTO DA FAMÍLIA?

Família: melhor perto ou longe? Dividindo a criação dos filhos ou ficando à distância? Para abrir a semana Família, três mamatracas contam como a relação família nuclear X família extendida funciona nas suas casas. Anne tem toda a família por perto e compartilha com eles a criação de seus dois filhos. Roberta mora longe da mãe, mas ela vem rapidinho quando precisa. Carol mora distante de qualquer parente, morre de saudades de todos e gostaria de poder compartilhar mais o crescimento de seus filhos com sua família. E na sua casa, como funciona?