Na semana mundial do brincar queremos contar para vocês quais são as brincadeiras favoritas dos nossos filhos. Hoje é minha vez, representando a parcela de mães que tem filhos bem pequenos e portanto podem explorar brincadeiras de ordem sensorial, menos estruturadas e com muita diversão - e meleca. Não vou mentir.
Essas são as três brincadeiras favoritas dos meninos aqui de casa. Reparem como tudo o que a gente precisa para estimular esse tipo de atividade é um tanto de desapego com as roupas e com a hipotética limpeza das unhas das crianças. E uma dose de fé.
ÁGUA E SUAS VARIÁVEIS
Moramos em uma casa. Nos períodos calor não há nada mais proveitoso do que brincar com água. Proveitoso eu digo porque eu fico com as crianças sozinha boa parte do nosso tempo. Então para mim é fundamental que eles consigam se divertir sem muita interferência minha. Claro que eu fico de olho o tempo todo, mas essa é uma proposta que distrai os meninos por horas à fio.
Existem milhões de maneiras de brincar com água, mesmo para quem mora em apartamento. Explorem a varanda e próprio banheiro, esquecendo da máxima que ele foi feito só para banho e higiene. No quintal eu deixo uma piscininha, deixo que brinquem com a mangueira de água. Em casa, ela tem uma regulagem, que muda os tipos de jatos, os meninos piram nos formatos que a água faz. Na hora que vence essa exploração, eu ofereço potes de diferentes tamanhos, da cozinha mesmo. É uma boa ideia para crianças pequenas deixar que eles vertam água de um pote para o outro - ou no chão, sistematicamente, que é o que eles curtem no fim das contas. Meu entendimento é sempre esse: estão aprendendo, estão explorando, estão se divertindo. Genuinamente.
O gran finale é uma bobagem que eu descobri: borrifador, desses que se encontra em lojas de 1,99. Os meninos simplesmente AMAM borrifar água nas plantas, nas paredes, na cara um do outro. Borrifador, fica a dia. Brincadeiras com água não têm limite.

TERRA E AREIA
Quando mudou o tempo e ficamos órfãos das brincadeiras com água, eu peguei a mesma piscina e enchi de terra. Essa é de fato uma brincadeira que exige um pouco de desapego com sujeira, especialmente no tempo seco. Mas se você tiver em mente que é só evitar que terra e água se encontrem (barro: uma brincadeira para estados avançados de desapego), fica bem fácil permitir que as crianças enlouqueçam com os estímulos sensoriais desse elemento. O mesmo vale para a areia. Todos eles, materiais fundamentais para o desenvolvimento das crianças pequenas.
Não há nenhuma estratégia. Nos tanques de areia dos parquinhos da vida, levamos potinhos e utensílios velhos de cozinha. Não consigo nem enumerar os aprendizados que essas brincadeiras proporcionam, é por isso que eu cada vez mais sigo fã de atividades recreativas ao invés de escolares na primeira infância. Só tudo acontece na brincadeira. Todos os conceitos, todas as experiências.
Aprendem a manipular objetos, desenvolvem coordenação motora, experimentam sensações, socializam, aprendem a dividir, ou a não dividir, participam de conflitos. Lá em casa, jogam toda a terra pela casa inteira. Eu tento moderar, deixando-os limitados ao quintal, mas é engraçado de observar. As reações das crianças pequenas são motoras, elas reagem aos estímulos com o corpo. A brincadeira não se resume a explorar a terra, ou a areia. É viver a terra. Eles rola, jogam na cabeça um do outro, fazem montes.... uma farra. Para quem está em espaços mais limitados, vale à pena pensar em uma caixa grande na varanda, um vaso sem planta ou algo do tipo, para proporcionar essa experiência também.
É possível que uma criança urbana passe boa parte da infância sem contato nenhum com terra e areia, se os pais não se preocuparem em oferecer isso em casa ou nos parquinhos da vida.

PINTURONA
Quando eu estava pensando nas brincadeiras preferidas aqui de casa, não consegui separar as atividades tidas como artísticas desse combo. Exatamente porque na fase em que os meninos estão tudo é brincadeira. Essa é uma proposta que eu tento fazer pelo menos uma vez ao mês. Na verdade, dá menos trabalho para a mãe do que parece, na medida que quando permitimos que as crianças brinquem sem muitas regras elas se divertem mais e por mais tempo. Então, comprei há muitos e muitos anos um grande rolo de papel kraft, que serve de embrulho para as grandes telas que eu pinto no meu atelier. Quando as crianças nasceram, ele virou suporte para as pinturonas. Não há grandes estratégias.
Eu simplesmente forro uma sala com o papel, o chão inteiro. Quem estiver preocupada com paredes, pode forrá-las também. Coloco tintas em potes vazios de sorvete. Às vezes ofereço pinceis e rolinhos. Outras, eles brincam com o corpo mesmo. E a pinturona segue.
Eles pintam a si mesmos e misturam as tintas loucamente. Fazem pegadas, estampam partes do corpo no papel. O Tomás, ainda prova muito as tintas, temos conversado bastante sobre o que são coisas de comer e o que são coisas de brincar, essa é a minha estratégia para propor que ele não coloque as coisas na boca, mas sem muita crise, porque ele coloca mesmo. Colocar na boca é parte do processo, uma vez que eles simplesmente lêem o mundo através das sensações da língua, do gosto. Claro que isso vai mudando conforme crescem e aos poucos eles param de colocar tudo na boca, mas exigir por exemplo que não chupem um pincel, é demais para os pequenos. É como mandar que um adulto assista um filme só com metade da tela exposta.
Uma boa ideia para as pinturas no geral é substituir as tintas por materiais comestíveis, como molho de soja, borra de café, farinha com água, pode-se também criar suas próprias tintas, com beterraba, cenoura e outros corantes naturais. Tendo em vista que a criança está, nessa fase da vida, aberta à estímulos em todos os sentidos. E desculpem o trocadilho, brincar trás sentido para a vida deles.
