
O que lhe motivou a ir para a internet e fazer um blog?
Por volta de 1994, quando ouvia meus netos e o pai conversarem, me pareciam falando chinês. Não entendia nenhuma palavra. Como não gosto de ficar por fora e nem me sentir marginalizada, comecei a me interessar, fazer cursos de informática e continuo aprendendo por ensaio e erro. Já agora consigo raciocinar em termos “informatês” e me viro bem. Conheço e trabalho com muitos programas.
Quando descobri o quanto a internet era importante em comunicação, entrei de cabeça. Mas tenho cuidados e regras! Nesse tempo todo reencontrei amigos, faço minhas pesquisas, aprendo muita coisa.
Você teve dificuldades em aprender a mexer com as novas tecnologias?
Claro que sim. Coisas novas são sempre difíceis. Mas, se houver interesse, sempre se aprende. Hoje navego relativamente bem por esse mundo. Principalmente quando essas tecnologias melhoram a minha vida.
Quais são as maiores dores e delícias de ser uma avó nos tempos de hoje?
Nenhuma dor. É só compreender como é a vida dos netos. Trabalham, estudam, namoram, jogam futebol e sobra pouco tempo para paparicar a avó. Mas o carinho está sempre lá e aparece quando é oportuno. Tenho quatro netos diferentes (mesmo os gêmeos) e se completam.
Delicia é se chamada de “vozinha" e acompanhar as vidas em todos os momentos. Isso permite que a gente acompanhe também as mudanças sociais.
Sempre que se fala em avós é comum a imagem de uma senhora fazendo crochê, tomando chazinho sentada na cadeira de balanço. Porque as avós continuam carregando os estigmas dos fazeres do passado?
Na verdade há um pouco do medo do novo e comodismo de ficar no que já dominam. E um pouco de preguiça também. Ficando nos chazinhos, tricô e crochê não se comunicam, não acompanham as mudanças e acabam marginalizadas. Não têm assunto para conversar com filhos e netos.
Felizmente consigo me envolver com a informática, mas também faço meus tricôs e crochês. TV, só quando há algo excepcional.
As avós do futuro terão blogs? Como você acha que serão as atividades das avós daqui a alguns anos?
Terão blogs se tiverem o que escrever. Montar um blog é fácil. Difícil é abastecê-lo com assuntos interessantes e consistentes. É preciso pesquisar muito e conferir tudo o que se escreve.
Difícil prever. Cada ser é único e sofre a influência de uma infinidade de variáveis que vão determinar o comportamento. Mas devem ter em mente que é importante acompanhar as mudanças e os novos conhecimentos porque senão ficarão mesmo só nos chazinhos...
Qual a melhor forma de se manter com mente jovem e positiva e ao mesmo tempo honrando as histórias do passado?
Mente jovem é bobagem. O cérebro envelhece biologicamente sem que se possa fazer nada. É possível manter-se com a mente ativa procurando constantemente fazer com que ela trabalhe tendo sempre um projeto em andamento: acaba um, começa outro. A leitura é uma boa opção, pois incentiva a mente a mente trabalhar montando cenários e é um ótimo “vício" que devemos cultivar.
Quanto a honrar o passado, eu o honro e muito. Faço do meu passado o apoio para minha vida atual. Escrevo sobre ele e registro tudo o que fiz e faço. Me orgulho de ser testemunha de um tempo e aproveito o que de bom me ficou dele.
Que dica você daria às mães de hoje em dia?
Nenhuma. Dicas e conselhos não se dá. Repito que cada um é um ser único e o que serve para mim seguramente não serve para mais ninguém. Mas, há coisas obvias como respeitar os filhos. Há um texto de Khalil Gibran que diz tudo:
