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Mamatraca

Decoração

Sexta Feira, 24 Ago. 2012

QUARTO DE MENINO REPAGINADO PARA MENINA

A Natália Crusco mandou esse vídeo pra gente contando como reaproveitou a decoração do quarto do Julio para a chegada da Ana Luiza, sua segunda filha. Com muita imaginação, dedicação e capricho, e uma ajudinha da mãe e da irmã, ela montou um novo quarto sem gastar quase nada. Fica a dica!

Se você tem boas dicas de decoração de ambientes de crianças, mande também seu vídeo pra nossa Colcha de Retalhos! contato@mamatraca.com.br

Meninos e Meninas

Sexta Feira, 23 Mar. 2012

VOCÊ TINHA PREFERÊNCIA ENTRE MENINO OU MENINA QUANDO ESTAVA GRÁVIDA?

Meninos e Meninas

Quinta Feira, 22 Mar. 2012

A DITADURA DO ROSA E AZUL

Quem já se aventurou a comprar brinquedos e roupas para uma criança sabe que é um desafio conseguir evitar o rosa total para as meninas e azul 100% para os meninos. Fomos conferir as prateleiras e araras das lojas.

Meninos e Meninas

Quinta Feira, 22 Mar. 2012

"O SEXISMO COMEÇA ANTES MESMO DO PARTO"

 

Pepeu Gomes já cantava, lá nos anos 80, "Ser um homem feminino/ Não fere o meu lado masculino/Se Deus é menina e menino/Sou Masculino e Feminino". De lá pra cá houve evoluções da sociedade em relação aos papéis das mulheres e dos homens?

 

Hoje as feministas e demais estudios@s têm certeza que gêneros são construções sociais. Aprende-se a agir de forma masculina e feminina, e isso não deixa de ser uma performance, um papel que desempenhamos. E, por vivermos numa sociedade patriarcal, o que é masculino é valorizado e visto como o padrão, enquanto o feminino é o outro, o oposto. Houve avanços na sociedade (há mais mulheres trabalhando fora, mais mulheres sendo provedoras de sua família), se bem que ainda estamos muito distantes de alguma igualdade. No entanto, o senso comum da sociedade e do capitalismo cada vez mais nos segrega em gêneros. Na minha adolescência, nos anos 80, eu podia ir a uma papelaria e comprar um caderno "neutro", que não fosse nem masculino nem feminino. Hoje está cada vez mais difícil fazer isso. Estamos codificad@s. Tem salgadinho pra homem e salgadinho pra mulher, e até jogos que eram "pra toda família" agora são separados por gênero. Banco Imobiliário, por exemplo, tem uma versão feminina. 

 
Desde pequenos, meninos e meninas vão construindo em casa, na escola e no ambiente social o conceito do que é “ser homem” e do que é “ser mulher”. Quando a diferenciação por gênero faz sentido e quando não faz?

 

Acho que hoje em dia a diferenciação por gênero não deveria mais fazer sentido. É uma diferenciação que limita a liberdade e equivale a uma camisa de força para todo mundo. Seria ótimo se pudéssemos parar de segregar os seres humanos por gênero. Mas vai demorar muito para que isso aconteça de fato, se é que acontecerá algum dia. As pessoas ainda pensam em termos binários, em termos de oposição, de sexo oposto. Como não é possível simplesmente pregar a eliminação dos gêneros, porque a sociedade enxergará isso como radical demais, o que devemos fazer é rediscutir o que é feminilidade e, principalmente, masculinidade, e ampliar suas fronteiras.  

 
Na sua percepção, quais são as principais diferenças que ainda existem na criação de meninos e meninas?

 

Há inúmeras diferenças na criação de meninos e meninas. Não creio que avançamos nesse sentido. Pelo contrário, hoje sabemos meses antes de o bebê nascer se ele será menino ou menina; assim, o tratamento diferenciado que se dá ao bebê começa antes mesmo do parto. E isso influi nas expectativas que criamos para meninos e meninas. É só ver que, nas casas onde há filhos e filhas, os meninos ainda têm muito mais liberdade e muito menos compromisso com a rotina doméstica que as meninas. Ainda ensinamos meninos a não chorar e a resolver seus problemas através da violência. Ainda ensinamos meninas a serem passivas e decorativas. Ainda dizemos a meninas que, acima de tudo, o que se espera delas é que sejam lindas e "femininas" -- e está palavra é uma senha para serem consumistas e obcecadas por um padrão de beleza inatingível.

 
Você percebe que os pais ainda têm expectativas diferentes em relação aos filhos homens em comparação às mulheres?

 

Sim, infelizmente sim. Ainda são poucos os pais que ensinam suas filhas que o que elas têm a dizer é mais importante que sua aparência. E acho que os pais ainda estão amarrados a uma visão heterossexista e tradicional do casamento e da família, em que seus filhos devem casar e procriar, e em que a responsabilidade maior de cuidar da casa é da mulher, e de trabalhar e ganhar dinheiro é do homem. Por outro lado, temos cada vez mais mulheres "invadindo" profissões vistas como masculinas. No plano simbólico, é importantíssimo que tenhamos hoje uma presidenta. Isso faz com que as expectativas comecem a mudar, que pais tenham outros sonhos e projetos para suas filhas. 

 
A mídia tem ajudado ou atrapalhado na consolidação desses estereótipos?

 

Embora a mídia não seja a única vilã da história, ela sem dúvida ajuda a perpetuar os estereótipos. Assim como a mídia é um monopólio nas mãos de poucas famílias que detêm muito poder, ela em geral prega o pensamento único. Não prima pela pluralidade. Não há contestação aos estereótipos que venha da mídia. Se a mídia que temos não está interessada em transformar a realidade sócio-econômica, não vai querer transformar os estereótipos de gênero, que são lucrativos pro capitalismo. 

 
E a escola? Educadores apontam que o sistema de ensino reproduz e ajuda a manter as desigualdades existentes na sociedade. Por mais que exista um discurso ideológico em relação a essa questão do gênero, percebemos que os professores ainda não estão preparados para lidar com novos modelos sociais e que, com isso, acabam reforçando o preconceito ou o estereótipo. O que poderia ser feito para melhorar essa questão?

 

A escola ainda não decidiu se deseja transformar a sociedade. Boa parte da educação segue preparando os alunos para "o mercado", ou seja, para o consumo. Dei uma aula inaugural sobre educação e gênero numa das maiores universidades do país, e fiquei surpresa ao constatar o conservadorismo vindo de coordenadores pedagógicos, que são pessoas que teriam algum poder para mudar a escola, se quisessem. Muitos compraram o discurso de que o padrão é natural, e, sendo assim, não se discute, nem pode ser mudado. Para melhorar essa questão, precisamos educar os educadores. Precisamos de debate. Precisamos de cursos de gênero e de cursos que questionem a mídia. Não basta sermos alfabetizados hoje -- é preciso que sejamos alfabetizados contra a manipulação da mídia. E é absurdo que, apesar de orientação sexual ser um tema transversal dos Parâmetros Curriculares Nacionais desde 1997, as faculdades de Pedagogia ainda não tenham uma só disciplina sobre gênero. As faculdades de Direito não tratam a questão de gênero, nem as de Jornalismo. Precisamos também cobrar um mínimo de espaço para contestação na mídia. A televisão ainda consegue muita repercussão. Se as emissoras têm liberdade para consolidar e propagar preconceitos, que haja espaço para que esses preconceitos possam ser desconstruídos. Que haja espaço para educação dentro da mídia.

 
O Brasil é um país, em sua essência, machista. Você, em suas pesquisas, identificou aqui alguma iniciativa bacana que está efetivamente fazendo com que a população repense sobre esse assunto de diferença de gêneros?

 

Há muitas iniciativas boas, mas, por enquanto, elas são pontuais. Há grupos, como o Instituto Papai, que questionam um modelo falido de masculinidade. Há coletivos que trabalham com maridos agressores, expondo o machismo como uma construção social. Esses grupos de discussão funcionam: de cada cem homens agressores, apenas dois são reincidentes. Mas grupos desse tipo ainda são exceção. A Lei Maria da Penha, no entanto, é um avanço. É um bom sinal que as denúncias de violência doméstica tenham aumentado, porque é muito mais difícil combater o que é silenciado ou fica escondido. Até uma declaração a favor da Lei da Palmada já gera uma grande discussão, e isso é ótimo. Mas os debates que surgem -- e eles surgem, porque se tem uma coisa que ficou clara com o poder da mídia alternativa, como os blogs, é que toda ação gera uma reação -- ainda precisam encontrar espaço na grande mídia e nas escolas e universidades. Se não, sofreremos retrocessos como o que aconteceu no segundo turno da campanha presidencial de 2010, em que o que poderia ter sido um debate sobre a legalização do aborto se transformou numa mera condenação do aborto. Ainda estamos vivendo esse retrocesso. Qualquer ponto que signifique uma afronta ao Estado Laico é um retrocesso, e precisa ser denunciado como tal. 

 

Meninos e Meninas

Quarta Feira, 21 Mar. 2012

#DIY: FOGÃO PARA TODOS

É muito difícil achar um brinquedo que vá além dos estereótipos. Por isso, nossa proposta hoje é ensinar o passo a passo de um fogãozinho multicolorido para meninos e meninas brincarem de fazer comidinha!