Sexta Feira, 15 Fev. 2013
ERROS DE GRAVAÇÃO
Alô, alô... testando...
Pois é, minha gente, não é sempre que a gente acerta de primeira. Os erros de gravação, às vezes (muitas) nos acompanham na frente e atrás das câmeras. Olha só:



Alô, alô... testando...
Pois é, minha gente, não é sempre que a gente acerta de primeira. Os erros de gravação, às vezes (muitas) nos acompanham na frente e atrás das câmeras. Olha só:
O que lhe motivou a ir para a internet e fazer um blog?
Por volta de 1994, quando ouvia meus netos e o pai conversarem, me pareciam falando chinês. Não entendia nenhuma palavra. Como não gosto de ficar por fora e nem me sentir marginalizada, comecei a me interessar, fazer cursos de informática e continuo aprendendo por ensaio e erro. Já agora consigo raciocinar em termos “informatês” e me viro bem. Conheço e trabalho com muitos programas.
Quando descobri o quanto a internet era importante em comunicação, entrei de cabeça. Mas tenho cuidados e regras! Nesse tempo todo reencontrei amigos, faço minhas pesquisas, aprendo muita coisa.
Você teve dificuldades em aprender a mexer com as novas tecnologias?
Claro que sim. Coisas novas são sempre difíceis. Mas, se houver interesse, sempre se aprende. Hoje navego relativamente bem por esse mundo. Principalmente quando essas tecnologias melhoram a minha vida.
Quais são as maiores dores e delícias de ser uma avó nos tempos de hoje?
Nenhuma dor. É só compreender como é a vida dos netos. Trabalham, estudam, namoram, jogam futebol e sobra pouco tempo para paparicar a avó. Mas o carinho está sempre lá e aparece quando é oportuno. Tenho quatro netos diferentes (mesmo os gêmeos) e se completam.
Delicia é se chamada de “vozinha" e acompanhar as vidas em todos os momentos. Isso permite que a gente acompanhe também as mudanças sociais.
Sempre que se fala em avós é comum a imagem de uma senhora fazendo crochê, tomando chazinho sentada na cadeira de balanço. Porque as avós continuam carregando os estigmas dos fazeres do passado?
Na verdade há um pouco do medo do novo e comodismo de ficar no que já dominam. E um pouco de preguiça também. Ficando nos chazinhos, tricô e crochê não se comunicam, não acompanham as mudanças e acabam marginalizadas. Não têm assunto para conversar com filhos e netos.
Felizmente consigo me envolver com a informática, mas também faço meus tricôs e crochês. TV, só quando há algo excepcional.
As avós do futuro terão blogs? Como você acha que serão as atividades das avós daqui a alguns anos?
Terão blogs se tiverem o que escrever. Montar um blog é fácil. Difícil é abastecê-lo com assuntos interessantes e consistentes. É preciso pesquisar muito e conferir tudo o que se escreve.
Difícil prever. Cada ser é único e sofre a influência de uma infinidade de variáveis que vão determinar o comportamento. Mas devem ter em mente que é importante acompanhar as mudanças e os novos conhecimentos porque senão ficarão mesmo só nos chazinhos...
Qual a melhor forma de se manter com mente jovem e positiva e ao mesmo tempo honrando as histórias do passado?
Mente jovem é bobagem. O cérebro envelhece biologicamente sem que se possa fazer nada. É possível manter-se com a mente ativa procurando constantemente fazer com que ela trabalhe tendo sempre um projeto em andamento: acaba um, começa outro. A leitura é uma boa opção, pois incentiva a mente a mente trabalhar montando cenários e é um ótimo “vício" que devemos cultivar.
Quanto a honrar o passado, eu o honro e muito. Faço do meu passado o apoio para minha vida atual. Escrevo sobre ele e registro tudo o que fiz e faço. Me orgulho de ser testemunha de um tempo e aproveito o que de bom me ficou dele.
Que dica você daria às mães de hoje em dia?
Nenhuma. Dicas e conselhos não se dá. Repito que cada um é um ser único e o que serve para mim seguramente não serve para mais ninguém. Mas, há coisas obvias como respeitar os filhos. Há um texto de Khalil Gibran que diz tudo:
O Poder do Discurso Materno - era o nome desse seminário.
Difícil traduzir em palavras a presença de uma pequena mulher, que com grande sabedoria conduziu uma imensa platéia a refletir.
Não foi uma reflexão binária, daquelas que nos trás conclusões simples. Foi como tirar a tampa de um profundo poço e dele começar a a resgatar aquelas que fomos como filhas (e filhos, acreditem, havia muitos homens no encontro), para poder compreender aquelas que somos como mães.
Laura parte do raciocínio factível: a sociedade patriarcal em que somos inseridos carrega consigo todos os valores de orientação masculina, que por sua vez nos impedem de exercermos nossos potenciais plenamente. Somos homens e mulheres ceifados desde muito jovens. Podados em nossos desejos primários, e em especial no caso das mulheres, com pouco espaço para vivenciar nossa feminilidade, sexualidade e maternidade.
A jornada pelas reflexões de Laura Gutman rendeu gargalhadas e lágrimas na platéia. Pessoas dispostas a conhecerem mais sobre si mesmos, para exercerem o direito (e o dever) de serem justos com seus filhos.
Assista um resumo do evento e compartilhe conosco sua opinião.
Se você foi ao seminário, o que aprendeu de mais valioso?
Se não foi, o que achou dessa abordagem sobre a consciência materna?
Laura Gutman veio ao Brasil por iniciativa dos blogs Cientista que Virou Mãe e Mammys Co.
Veja por lá mais informações sobre o tema.
Você exerce uma maternidade ética?
Acho que se alguém fizer essa pergunta para um grande grupo de mães, a maioria dirá que sim. Ou que pelo menos gostariam. Afinal, quem é que topa ser chamado de anti-ético?
Uma interpretação livre, daquelas que a gente trás de nossas experiênicas no mundo, vinda de uma pessoa que não tem formação acadêmica nas grandes ciências humanas, certamente fará um emaranhado dos conceitos: moral, bom costume, regras, comportamento, educação. Certamente, um conceito nebuloso.
Não faz muito tempo que eu decidi entender melhor esse conceito, e surpreendentemente me deparei com respostas interessantíssimas.
Na filosofia clássica, a ética é o campo que busca a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, tanto na vida privada, quanto em público.
Um ser ético tem capacidade para controlar impulsos e decidir entre várias alternativas possíveis. Um ser ético é aquele que tem responsabilidade, ou seja - que consegue reconhecer-se como autor das ações. Um ser ético é livre, e não se submete a poderes externos. E acima de tudo, um ser ético é um ser consciente, de si e dos outros. Não existe ética, sem consciência.
A ética é o exercício da consciência, da liberdade e da responsabilidade.
Frente a todas essas definições, vocês também sentem como eu, que ética e maternidade são praticamente sinônimos?
No Tricô de hoje as Mamatracas contam sobre o despertar dessa fundamental consciência dentro de suas vidas de mãe e refletindo com humor, honestidade e seriedade.
Basta ser mãe? Ou term que ter consciência?
Essa interpretação faz tanto sentido quanto pode soar como uma grande falácia: afinal, o que é ter consciência quando estamos criando os filhos?
Uma primeira interpretação pode rapidamente falar de escolhas: quando somos mães e pais estamos o tempo inteiro fazendo escolhas para nós e nossos filhos. Ter consciência seria então, em poder de informação, conseguir fazer as melhores escolhas - não esquecendo que estas estão na pilha das escolhas possíveis.
Então uma mãe consciente jamais optaria por alimentação transgênica, excesso de medicalização. Uma mãe consciente estaria sempre ao lado do filho, com suporte emocional. Uma mãe consciente escolheria as melhores escolas, ou peraí! Tem mãe consciente que não coloca o filho na escola, afinal a escola é uma grande ferramenta de massificação dos indivíduos.
E aí nos enveredamos pelo perigoso pacote da mãe consciente. Porque de fato, se fizéssemos uma lista de todas as coisas para as quais temos que fazer escolhas, e uma a uma fôssemos elencando as melhores opções, seria possível estabelecer um grande consenso sobre muitas delas. E ai da mãe que não as adotasse: então ela não é consciente?
Foi aí que surgiu no caminho do Mamatraca a possibilidade de cobrir o seminário "O Poder do Discurso Materno" ministrado pela psicanalista Laura Gutman e organizado pela Lígia Moreiras Sena e Juliana Corullón, no último dia 02, em São Paulo.
Entre muitas outras coisas, foi possível entrar num outro nível de consciência: a mãe consciente é aquela que se conhece.
Uma coisa é certa - o primeiro passo está dado.
Vamos exercitar a nossa consciência?