Quarta Feira, 23 Mai. 2012
CRIANDO MEMÓRIAS
Como começou esse projeto?
Sou bancária, mãe do Ricardo de 22 anos e da Laura de 26 anos, tenho a fotografia como hobby e faço parte de um fotoclube daqui de Bauru, chamado Focopoint. No grupo, fazemos projetos coletivos que envolvem fotografia e somos desafiados a desenvolver projetos pessoais. Em 2011 tivemos como missão retratar pessoas que nunca haviam sido fotografadas, presenteando as com a imagem. Daí pensei em registrar bebês e acabei fazendo disso meu projeto pessoal.
Durante cerca de seis meses, eu ia à maternidade às quintas feiras de tarde para fotografar todas as mães e seus bebês recém-nascidos que estavam internados no quarto 12 da Maternidde Santa Isabel de Bauru. Neste quarto há seis leitos, sempre ocupados por mães carentes. Eu levava maquiagem, acessórios, roupa para as mães... Fazia as fotos e tomava depoimentos. Depois de uma semana, deixava as melhores fotos ampliadas de presente para elas.
Havia muita resistência por parte das mães quando você chegava para fotografá-las?
Num primeiro momento, quando entrava no quarto e me apresentava, percebia que ficavam um pouco resistentes. O receio era de que meu trabalho tivesse algum custo para elas. Quando deixava claro que elas seriam presenteadas com as fotos, normalmente elas aceitavam muito bem!
Depois do resultado pronto, qual era a reação delas ao verem a foto impressa?
Nem sempre tive a chance de presenciar este momento, pois deixava as fotos na gerência da maternidade para posterior entrega. As mães têm que levar seus bebês na maternidade depois de uns 10 dias do parto, para a realização de testes auditivos e outros, momento em que recebiam as fotos.
Ao clicar essas mães, quais sentimentos o processo despertava em você?
Foi sempre muito gratificante! Sinto que estava colaborando para aumentar a auto-estima dessas mães e aproximá-las de seus bebês. Muitas delas são muito jovens, entre 16 a 20 anos e não planejaram ficar grávidas. Muitas estavam ainda inchadas, com dor. Fazer com elas se maquiem e se penteiem colabora para que se sintam bonitas. Depois, propor poses com seus bebês, beijando-os, abraçando-os, cria um vínculo maior. Também aproveitava para fotografar toda a família: mãe, pai e bebê... Sempre propondo um beijo, um carinho entre os pais e o aconchego da família! Penso que isso ajuda a estreitar laços familiares!
Você acredita que, de alguma forma, ter uma recordação física desse momento pode estreitar as ligações entre mães e filhos?
Acredito que sim. De todas as duplas que fotografei, tem 2 delas que estou tendo a chance de um acompanhamento mais próximo. Em dezembro de 2010 estive pela primeira vez fotografando na maternidade. Foi apenas por uma tarde e a satisfação foi tanta que propus à direção da maternidade a continuidade e foi o que aconteceu, de junho a dezembro de 2011.
Então, naquele dia, fotografei seis duplas, pois o quarto 12 estava lotado! Simbolizei aquela tarde como minha ação social de natal. Fiz as fotos, ampliei as melhores imagens, comprei porta retratos e cestas básicas e, depois de alguns dias, fui pessoalmente à casa de cada uma delas pra levar os presentes.
No final do ano passado contatei novamente duas destas mães para darmos continuidade ao projeto. Fiz novas fotos, inclusive mantendo as poses que havíamos feito no ano anterior. Foi muito bom voltar às casas destas mães e ver as fotos do ano anterior colocadas em lugar de destaque naqueles mesmos porta retratos! E, no final de 2012, faremos tudo de novo!







