Segunda Feira, 8 Abr. 2013
A TELEVISÃO E A FAMÍLIA
Para alguns, ela é uma verdadeira vilã. Outros não vivem sem ela. Há também aqueles que conseguem exercer um controle sobre a televisão e aproveitar o que ela pode oferecer de positivo - e com moderação. Em qual dessas categorias você se encaixa?
Será que a televisão só oferece lixo e porcaria? Qual é o tempo permitido para que uma criança passe em frente à TV diariamente, seja na TV aberta/fechada ou assistindo a DVDs?
Esta semana vamos discutir esse tema aqui no Mamatraca. Não vamos entrar especificamente na discussão da publicidade dirigida às crianças, tema que está sempre em pauta por aqui, mas vamos tentar trazer uma discussão sobre a qualidade do conteúdo que é oferecido às crianças e às famílias por meio da TV.
Nós três, Anne, Priscilla e Roberta, temos nossas próprias práticas e políticas em relação ao uso da TV em casa. Aqui um depoimento de cada uma de nós sobre esse assunto
Anne: Eu não aboli a TV. Somente consumo de forma diferente, sem Tv à cabo ou TV aberta, porque quero evitar a super exposição à publicidade - tanto para mim mesma como para as crianças, eu consumo televisão para entretenimento, e não para ficar sabendo o que está à venda. Com isso também consigo conteúdos mais adequados para mim e minha família. Meu conceito de televisão é "on demand". Ou seja, eu escolho o que e quando assistir. Para isso faço uso da internet também consumindo muita coisa de youtube e vimeo, além de programações da televisão streaming ou até mesmo compra de títulos pela internet. Dessa forma o conteúdo que entra na minha casa é selecionado, não pelo que está no ar, mas por aquilo que eu escolho. É uma forma mais ativa de consumir informação e entretenimento. Um exemplo prático disso é que eu tenho conhecido muitas animações não comerciais (ou com menor apelo comercial) e que aos poucos vão se tornando parte da infância dos meninos. O Lorax é um filme recente, cheio de lições e com enredo e músicas bacaninhas fala de um futuro desesperador, numa sociedade norteada pelo consumo, muitíssimo parecida com a nossa. Ainda assim, tenho muitas regras quanto ao tempo e frequência dessas atividades, tentando concentrá-las ao máximo para eventos de família, onde sentamos juntos para ver TV. Quanto ao Tomás, meu filho mais novo, tento evitar ainda mais, preferindo ligar a telinha quando ele já estiver dormindo, ele de fato não se importa nem um pouco com televisão. Não vejo benefício nenhum em crianças pequenas na frente da TV, porém percebo que conforme vão crescendo, com cuidado intenso ao tipo de conteúdo, e tempo de exposição à ele, a TV pode ser uma forma bem legal de promover lazer para a família. Uma analogia interessante que eu aprendi sobre televisão é que ela é como uma geladeira. Quem é responsável pelo que está la dentro sou eu.
Priscilla: Eu sou indiferente à televisão. Já houve um tempo em que eu gostava mais de ficar assistindo séries e programas, mas hoje, se depender de mim, a televisão nunca estaria ligada em casa. O oposto acontece com Stella, minha filha mais velha, que é apaixonada por desenhos e filmes e fica em frente à TV muito mais tempo do que eu gostaria de admitir. Já Lia, minha caçula, sempre demonstrou pouca paciência com a telinha e a telona - nem por cinema ela se interessa. Por isso, na minha casa temos um controle de "tempo de telas", e entra nessa contabilidade o tempo em que elas passam em frente a tablets e computadores. Sempre estou atenta ao que elas estão assistindo e até bem pouco tempo atrás os canais eram aqueles tradicionais infantis - Discovery Kids, Gloob e Disney Junior (esse último, devo confessar, é uma preferência familiar). Com Stella crescendo, seus interesses estão mudando e por aqui começaram a ser sintonizados com muita parcimônia, além do Animal Channel (uma opção interessante para a idade dela!), os canais que oferecem uma programação diferente, com novelinhas teens e desenhos violentos, numa clara separação de programas para meninas e meninos. Recentemente, com o advento da novela Carrossel, fenômeno que dominou 120% das crianças brasileiras e veementemente desaprovado dentro da minha residência, descobri que o que eu não aprovo pode ser mais interessante, pois surpreendi minha filha assistindo aos capítulos no YouTube escondida. Desse episódio tirei duas lições:
1 - os filtros parentais são muito importantes e devem ser ativados;
2 - não adianta proibir, tem que estar sempre atenta ao que eles E OS AMIGOS estão assistindo.
Para o futuro, pretendo implementar à TV o slogan que se aplica às bebidas alcoólicas: CONSUMA COM MODERAÇÃO.
Roberta: Eu sou uma assumida fã de televisão. Sempre gostei de sentar em frente à tela e assistir, despretensiosamente, alguma coisa na TV. Vou desde os jornalísticos e filmes até algumas porcarias que me relaxam (amigos que me defendem dizem que jornalistas têm direito a assistir porcaria por uma questão crítica da profissão - gosto dessa defesa rsrsrs). Mas com as meninas não sou liberal. Não permito que elas estejam na sala enquanto assistimos a programas inadequados para a idade delas. E também só permito que elas assistam a canais infantis que acho adequados. Elas estão na fase do Disney Junior na TV fechada, e acho que a programação é bem ok. Elas gostam muito de ver vídeos e clipes no Youtube, mas este é um desafio de controle ainda maior, tema para outra semana. Não deixo ver novelas e nem desenhos violentos. Enquanto ainda consigo ter controle, levo assim. Às vezes elas também passam do limite do tempo em frente à TV, especialmente nas férias. Mas em tempos normais, acho que a coisa está relativamente sob controle.
E na sua casa, como funciona?







