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17/11/2017

Na última quinta-feira 09/11 ocorreria uma audiência pública na Câmara dos Vereadores, dentro da comissão de Educação e Esportes, para a qual eu fui convidada para compor a mesa. Essa audiência foi convocada ainda quando o prefeito de São Paulo queria oferecer subprodutos da indústria alimentícia para as crianças, medida anunciada em 18/10.

Como num filme de Hollywood, em menos de 15 dias passamos por um surpreendente plot-twist e de farinha de resto as crianças da prefeitura vão comer frutas orgânicas. Curiosidades à parte, audiência ainda necessária, como qualquer audiência, para abrir espaços de diálogos tão urgentes entre poder público e população. E eu estava lá, olha quem mais estava la: 

De acordo com o gabinete do Vereador Toninho Vespoli (PSOL) o Codae (Controladoria de Alimentação Escolar), o Comusan (Conselho Municipal de Segurança Alimentar) Geduc ( Grupo de Atuação Especial de Educação - do Ministério Público) além da SME na figura do Secretário Alexandre Schneider...

12/09/2017

Chegaram DISPOSTOS. Esse é o ingrediente que faltava na receita do bolo, que vou descrever aqui. Do que precisamos para banir o refrigerante da escola de infância?  1) qualquer pessoa que questionasse essa tradição; 2) uma diretora capaz de exercer sua função e articular o espaço de diálogo, lidando com as dificuldades de construção da democracia, ou seja, uma diretora competente e comprometida; 3) conhecimento das leis e das melhores evidências para apoiar a conversa de forma racional, evitando desgastes de relações e que as pessoas interpretassem essa iniciativa como ataques pessoais, desviando o foco da conversa; 4) professores dispostos a refletir, aprender e acima de tudo, professores que enxergam a criança como prioridade absoluta, como deve ser o educador da infância;  5) comunidade unida em prol desse mesmo objetivo, acima de suas opiniões individuais: um olhar coletivo sobra a infância, rumo à revisão de tradições ruins pelas crianças e não por suas justificativas adultas. Q...

17/06/2015

Faço parte de um grupo de ultra privilegiados que matriculará o filho no ensino fundamental em 2016 na rede particular. Considero-me privilegiada apenas porque tenho opção de escolher entre uma rede e outra. Grande bosta. Porque a verdade é que pagando ou de graça meu filho à partir do próximo ano vai ser enfiado num moedor de carne. À parte da tragédia pedagógica e falência generalizada de modelo que a esmagadora maioria das escolas que cabem no meu bolso representam, estou focada em investigar suas posturas quanto a alimentação. Eis que não paro de gerar anedotas saídas de um filme de David Lynch. – … Blá, blá, blá, e a arte, e a socialização, e que abordagem humanista… – Que legal. E as crianças se alimentam aqui? O lanche é da escola? – A cantina oferece o lanche, mas também as crianças podem trazer. – Em todos os níveis? – Sim, desde o maternal. – Vocês proíbem alguma coisa na lancheira? – Sim. Não pode trazer bala, chiclete e refrigerante. – Nossa. Que raro. Parabéns, é difícil...

10/06/2015

Ando pelos corredores da escola com a diretora que acabara de me informar que a pedagogia deles era “tipo montessori, mas é socioconstrutivista”. Qualquer pessoa com conhecimento mínimo de educação pode imaginar meu desânimo previamente instalado, enquanto eu olhava as instalações de mais uma da imensa lista de escolas que estou visitando para colocar meu filho no ensino fundamental. Uma missão terrível, sem final feliz. Todas as escolas que conheci até agora são um atentado à educação. Mas conseguem fazer trabalho pior, quando o assunto é alimentação. – Isso é um pôster de propaganda da Kibon? – Sim. Vendemos sorvete na cantina. – Oi? Sorvete? Atá. E fazem propaganda nos corredores? – Isso. Porque assim a criança já sabe o valor das coisas e pode ir gerindo seu próprio dinheiro. Existem várias opções além do sorvete. – Sim, já vejo a vitrine daqui. Tem chocolate, bala, pirulito… – Veja, nós favorecemos a alimentação saudável. Os salgados da cantina são assados e não fritos. Mas trab...

03/06/2015

Entro na quinta escola que fui visitar. Meu filho (que nasceu ontem) vai para o ensino fundamental. Entre uma explicação sobre a hora da entrada e o livro de português, alguém ali do grupo quer saber: mas eles que trazem o lanche? Ou a escola oferece? – Pode trazer, pode comprar aqui. A partir do fundamental eles tem acesso à cantina. – E vende o que na cantina? – Lanches saudáveis, salgados, sucos. – Vende refrigerante? – Vende. – E a criança que traz lanche de casa, pode trazer refrigerante? – Pode. – A escola não proíbe refrigerante? – Não podemos proibir, é uma responsabilidade de cada família. – E por que não pode proibir? – Veja bem: educar não é proibir. Educar é problematizar os pós e contras das decisões livres! Tomei um pito da educadora e a conversa seguiu para a importância da robótica e da educação financeira no currículo. “Somos uma geração de consumistas! Nossos filhos são ainda piores. Se não forem educados para gerir o próprio dinheiro, acabarão com todos os nossos r...

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PROJETO CLAREAR

COM CEILA SANTOS

 

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