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O nome do bebê afeta sua personalidade, diz psicanalista

26/10/2011

A entrevistada do Mamatraca hoje é Inúbia Duarte, mãe da Guacira e do Sérgio, avó do Dylan e da Daphne Inúbia. Psicanalista especializada em crianças e adolescentes e modelo para toda uma geração de psicólogos gaúchos, ela responde questões sobre a identidade do nome e o peso dessa escolha para pais, filhos e toda a família.

 

 

 

 

Muitos pais gastam um bom tempo escolhendo o nome dos filhos. Isso importa? O nome dado a uma criança pode, de alguma forma, influenciar sua vida e fazer a diferença na formação da sua personalidade?

 

Sem dúvidas, o nome escolhido expressa os desejos dos pais depositados no bebê esperado. Quando um bebê nasce, ele ocupa um lugar específico na familia e sofrerá as influências da motivação dos pais. Por exemplo, se ele veio para suprir a perda de um ente querido, se veio pré-destinado a salvar a relação conjugal de seus pais... Ou se é fruto do desejo genuíno dos pais de serem pais!  Enfim, por que esse bebê foi gerado agora?

As expectativas dos pais são projetadas nesse(a) filho(a) de um modo inconsciente e o seu nome, muita vezes, sintetiza essas aspirações que terão influência na estruturação egóica, do ideal de ego e superego, ou seja, em todos os modos de agir, de pensar e de funcionar de sua personalidade.

 

 

Pela sua experiência, quais são os critérios mais comuns que os pais levam em consideração na hora de escolher o nome dos filhos?

Os critérios conscientes são muito variados, dependem da cultura, tradição familiar, modismos, época histórica, sonoridade, originalidade, etc. Além desses, há muitos fatores inconscientes e pré-conscientes, como necessidades de homenagear alguém, por ligações vinculares significativas, inclusive para "reparar" algum dano real ou imaginário.

 

 

É comum que meninos recebam o nome do pai ou do avô e sejam chamados de Júnior ou de Neto. Isso tem alguma influência na vida da criança?

Certamente!  O filho, o neto, tem pré-estabelecidas imagens idealizadas do "homenageado" - pai, avô que serão núcleos importantes de identificações. Geralmente são pessoas influentes, que se destacaram de algum modo em seu meio familiar, social e/ou profissional e que servirão de modelos na estruturação de suas identidades.  Os filhos, os netos que carregam esse "peso" podem reagir, querendo corresponder aos desejos paternos e sendo iguais aos seus modelos ou funcionando reativamente, sendo opostos aos "originais". Uma criança que não aceita ser depositária dessa homenagem pode ter atitudes contrárias para se diferenciar do homenageado e desenvolver sua própria essência.  Essa reação pode ser considerada saudável. De certa forma, agindo assim, a criança está em busca de sua "verdadeira" personalidade. Também é interessante verificar a influência dessas escolhas nos pais, avós, tios e demais homenageados.

 

 

E a questão dos apelidos? Até que ponto é positivo e quando o apelido passa a ser um problema? 

Teríamos de ver, primeiro, a causa ou origem do apelido. Abreviatura do nome ou sobrenome pode ser algo positivo, dado de modo carinhoso por algum irmão, por exemplo. Mas se torna pejorativo tão logo ressalte alguma característica física indesejada ou alguma dificuldade da fala ou de qualquer outro funcionamento. Nestes casos, o apelido é a expressão de algo rejeitado e passa a ser um problema como em alguns casos de gagueira, de deficiência visual, por exemplo.

 

 

Você tem alguma história interessante para nos contar sobre nomes? 

Posso contar a minha própria. Meu nome foi escolhido após meus dois irmãos terem recebido nomes indígenas - Ubirajara e Ubiratan, respectivamente, significando cacique e guerreiro.  Quando nasci, um tio meu passou um telegrama onde dizia que "as inúbias anunciavam meu nascimento..."  Os meus pais gostaram e recebi esse nome bastante original que denomina um instrumento musical dos índios guaranis, usado quando eles querem reunir os guerreiros. Se origina do vocábulo "Yanubia", do idioma indígena tupi , e significa "trombeta de guerra; corneta usada pelos indígenas do Brasil". "Aquilo que soa de forma doce e agradável". Penso que tenho um pouco dessa característica pois gosto muito de "reunir" amigos e colegas.

E o interessante que minha netinha tem o meu nome - ela é Daphne Inúbia... Espero que isso não seja uma "carga muito pesada" para ela.  Mas eu gostei muito de ter essa continuidade especial nela.

 

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