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Relatos da Escola Pública: por mais e melhores professores!

26/09/2017

Meu apelo ao Secretário Municipal da Educação que revogue a portaria 7663 que reduz o número de professores nas escolas. Que reconsidere o cancelamento da jornada integral nas Emeis. Que tome medidas para fortalecer as instâncias de participação popular nas escolas - Conselhos e Avaliação dos Indicadores de Qualidade - e fora dela. Que faça da escuta verdadeira a base da tomada de decisão. Nada sobre nós (e nossos filhos) sem nós! 

 

 



"Toda vez que um professor falta, meu filho relata o que deve ser um grande desespero para toda a escola: crianças amontoadas na sala de aula, um único adulto educador, desestímulo e cansaço para todas as partes. As crianças, claro, vulneráveis que são, serão sempre as mais prejudicadas. Meu filho sempre chora quando isso acontece. 

Ele teve uma professora que faltava tanto, mas tanto (sindicalista ela) que avisava as crianças antes da sua agenda de compromissos. E ele me comunicava que naquele dia ele ficaria amontoado em algum lugar. Nesses dias eu não mandava para a escola, privilegiada que sou. "É muito barulho, as crianças gritam demais e a professora grita com eles. A gente não pode sair da sala porque é muita gente pra ir no parque e ela não consegue cuidar." 

Quando vocês diminuem professores vocês infringem diretamente a necessidade vital da criança de segurança e movimento. De contato, vínculo, aprendizado. Porque essas faltas (que, sabemos, muitas abusivas) sempre existirão. As medidas reparadoras para essa falha não poderiam jamais prejudicar as crianças. Mas prejudicam. 

Profissionais descomprometidos à parte, a gente como mãe e adulto educador olha para o portfólio da educação infantil pública e sabe que faltam atividades expressivas de arte. Arte é linguagem de infância. Pintura com barro, colagens, muito recorte e interferência no meio. Argila, materiais de exploração tridimensional diversos que não precisam ser caros, mas precisam de educadores para mediar. Um educador sozinho com 35 crianças de 5 anos consegue desenvolver um percurso expressivo com eles? Não mesmo. 

Em uma escola que meu filho esteve ele sofria muito porque não ia ao banheiro sozinho. Virou até uma questão de saúde isso, imagina? Não conseguir ir ao banheiro por 6h porque não tem um adulto para te ajudar? Não tinha papel nas cabines, e ele ainda não tinha aprendido a pegar a quantidade sozinho. A escola mantinha o papel fora (assim como fazem os presídios) "porque as crianças jogam no vaso e não temos verba para desentupir". Então vamos ensinar as crianças a pegar o papel fora da cabine? Vamos ensinar as crianças a não jogarem nos vasos? "Não podemos ensinar nada porque a professora está com os outros 34, não tem ninguém para fazer isso." Claro que má vontade não tem portaria que regule.

Quando o mais velho chegou no fundamental foi uma grande surpresa: as crianças até do nono ano, para usar o banheiro, precisavam pedir para a professora o papel. Algumas professoras estabeleciam a quantidade. Que humilhação né? Imagina se nós, adultos, suportaríamos que alguém nos determinasse a quantidade de papel higiênico. 

A surpresa dos adultos daquela escola é que os alunos eram violentos. E que não aprendiam nada. E que davam trabalho. E dá-lhe reunião de conselho para culpar os pais pelo trabalho ruim que estavam fazendo quando não educavam seus filhos para mandar prontos para a escola apenas para aprender. "Educação vem de casa, não podemos assumir isso, já estamos sobrecarregados." 

Paulo Freire tremia no túmulo essas horas. 

Eu vejo que os estudantes são é muito pacatos perto da infração de direitos que eles aguentam desde tão pequeninos. Uma criança que cresce com esse evidente abandono de seu estado, sua sociedade por acaso cresce segura e um grande amante da educação escolar? Claro que não. Somos adultos medíocres, quando devíamos protegê-los e ficamos empurrando a responsabilidade por seu bem estar uns para os outros. 

Quando vocês desinvestem na educação, vocês tiram a humanidade das crianças, e elas sabem disso. Ensinam para eles com essas portarias que eles não são importantes. Vem tudo primeiro! A justificativa da prefeitura, os interesses da gestão, o corporativismo do sindicato. Quem está defendendo as crianças? 

227 da constituição: prioridade absoluta. Conversem com as crianças e com as famílias antes de tomarem essas decisões arbitrárias."

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