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GreenWashing na escola: ignorância ensinada pela educação ambiental de mentira.

08/11/2017

Greenwashing é um termo em inglês que significa "lavagem verde". É o hábito das indústrias de usarem "virtudes ambientais" para fazer parecer (através normalmente de publicidade) que seus produtos são ecoeficientes. Na escola e nos canais da prefeitura Greenwashing é prática constante e apresenta sério risco para quem está interessado de verdade em educação ambiental.

 

Precisamos PARAR de falar de preservação ambiental e começar a AGIR pela preservação ambiental.

 

As pessoas alucinam achando que o jacaré está em extinção porque um homem mau foi lá e matou o jacaré para fazer bolsa. Ou porque o macaco-sei-lá-o-que está em extinção porque o bandido foi lá e incendiou seu território. 

 

Os animais estão em extinção porque eu, você e nossas crianças temos hábitos alimentares ruins e de consumo piores ainda.

 

Nós temos esses hábitos ruins porque o poder público é leniente e não faz políticas eficientes para efetiva proteção e cumprimento de balizas mínimas de sustentabilidade.

 

E o poder público não toma essas atitudes porque quem manda nos governos são as empresas.

 

Essa influência das empresas nos governos é chamada de "corrupção" em algumas instâncias - quando por exemplo descobrem dinheiro de uma construtora para eleger um candidato-,  e é chamada de "deixa o homem trabalhar" em outras - quando nossos governantes estabelecem relações promíscuas com as indústrias para executar políticas assistencialistas que de públicas não tem nada, tipo deixar a marca de pasta de dente fazer a educação bucal das crianças de escola pública, como se fosse um favor. 

 

 

Para sossegar a consciência (ou melhorar a imagem percebida) entra a prática equivocada aliada à publicidade enganosa. Greenwashing.

 

Está aí o exemplo clássico, as crianças desta escola estão falando sobre preservação dos animais como um conteúdo pedagógico totalmente destacado da realidade, que responsabiliza alguém malvado e que não cuida da natureza pelos problemas ambientais. 

 

É fato que uma atividade pedagógica sobre preservação é bem-vinda e necessária. Mas só isso não adianta nada. 

 

As mídias sociais da Secretaria destacam o conteúdo como se fosse algo verdadeiramente ligado ao tema tão nobre da sustentabilidade. Enquanto dois milhões de refeições diárias são servidas na prefeitura de São Paulo com arroz, feijão e carne todo dia. 

 

Um cardápio desse mantém as pessoas vivas e sem fome, que maravilha. Mas é fomento à pecuária e monocultura, responsáveis diretos pela destruição do meio ambiente. Coisa que em grande escala, mata as pessoas.

 

Já é sabido que poluição, aqui em São Paulo por exemplo é responsável direta pela morte de pessoas. Mas temos o chefe do executivo aliado ao presidente da Câmara dos Deputados para adiar por 20 anos  planos municipais de combate à poluição.

 

 

Não adianta ficar triste pelo passarinho apedrejado e continuar oferecendo carne animal para a criança 4 refeições ao dia. Essas propostas pedagógicas oferecem à criança uma leitura equivocada do mundo. Claro que será desejável não arrancar as flores, mas nossas crianças precisam antes de tudo serem estimuladas a hábitos verdadeiramente sustentáveis permeados pela consciência crítica das coisas. Eu chamo isso de "ignorância ensinada". Limitar o pensamento da criança à essa relação com o meio ambiente é extremamente conveniente ao mercado.

 

Não é educação. 

 

Nós precisamos cobrar dos governos atitudes coerentes com o que propagandeiam. Sem publicidade enganosa. Livre de Greenwashing. E também deve ser assim nossa prática cotidiana. "Diminuir a distância entre o que se fala e o que se faz". 

 

E dos governos, vale também o governo das escolas, as pequenas gestões dos territórios. Precisamos de fomento e vontade política dos educadores e gestores para a mudança de paradigma de dentro para fora na educação, com foco verdadeiro na sustentabilidade, se esse é o tema.

 

Eu estive em uma escola que convocou um mutirão para a horta escolar. Fotografou os pais e mães. Inseriu no projeto político pedagógico da escola. Documentou na diretoria de ensino e até hoje, quase um ano depois, não se colheu uma salsinha, a horta está abandonada, mas existe na teoria. Aos olhos da teoria, é uma escola alinhadas às boas práticas de sustentabilidade. Greewashing.

 

Há escolas com árvores frutíferas por todo o território. Frutas que apodrecem e caem, sem nunca terem se tornado experiência sensorial, pedagógica ou alimentar para as crianças. Mas no dia da árvore todo mundo pintou o desenho que já veio pronto de verde e marrom, e os murais foram decorados com essas atividades.

 

Peguei essa imagem no google em uma busca simples "atividade dia da árvore". Façam uma pausa para fazer essa pesquisa e vejam em quantas fotos as crianças estão fazendo alguma coisa que não seja em papel. Que destrói árvores.

 

Parem com a sucata na escola!!!! Sucata não ensina sustentabilidade!!

 

Quando tivemos a chance de tratar com o Secretário Alexandre Schneider, levamos para a pauta o conflito entre as grandes compras da prefeitura e as questões ambientais. Uniformes, materiais escolares e alimentação não partem de escolhas de consumo inteligentes, nem tampouco alinhados aos objetivos de sustentabilidade da ONU. Teremos apoio dos educadores se em nome da sustentabilidade as atividades plásticas na infância forem conduzidas com meios e mídias naturais, fugindo das tintas, lápis e gizes caros e absolutamente insuficientes do kit da prefeitura?

 

Precisamos parar de achar que são "loucas privilegiadas" as mães que pedem que os doces de dia das crianças sejam banidos da escola. Que o Natal e a festa do consumismo não sejam temas no fim de ano.

 

Precisamos questionar a distribuição do leite de vaca como política de assistência às crianças vulneráveis, um dos maiores lobbys da história: a indústria responsável há décadas pelo ataque direto à saúde das crianças através do investimento em desmame é quem leva dinheiro público graúdo, supostamente para "garantir a nutrição" dos menos favorecidos. Indústria essa diretamente ligada à devastação ambiental que promove a extinção dos animais. E muitas vezes com defesa dos educadores, na lógica de que é "melhor do que morrer de fome". 

 

Todas essas atitudes são fruto de escolhas sem consciência, tomadas pelos governantes submetidos às indústrias e que por conta da falta de questionamento de todos nós, seguem parecendo boas ideias. Boa ideia é parar de falar sobre sustentabilidade e agir em prol dela. 

 

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