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Parem de atormentar as crianças

23/04/2018

Um mar de lixo para assustar os pequenos

 

Uma ação medonha do Greenpeace levou crianças para um aquário. Sonhando e animadas em ver a vida marinha e extensa flora dos oceanos, as crianças de jardim de infância foram apresentadas para um mar de lixo, plásticos velhos e garrafas. A ação supostamente é para chamar a atenção para o problema da poluição dos oceanos pelo plástico, e convoca para a assinatura de uma petição depois de torturar os pequeninos com cenas bizarras de lixo boiando. Evidentemente, o susto das crianças foi usado de forma bem publicitária pela agência responsável para sensibilizar adultos a assinarem uma petição enquanto tomam 3x por dia suas garrafinhas de 600ml de coca cola (que depois faz campanhas para os outros recolherem lixo nas praias).

 

 

Frutas na teoria

 

Outro dia eu vi uma postagem da Secretaria Municipal de Educação que tratava de um "projeto" de sala de aula sobre os alimentos que são saudáveis, para promover a alimentação natural e adequada. A postagem valorizava o trabalho da educadora que criou o projeto, mas convenientemente esquecia da responsabilidade da prefeitura em oferecer essa alimentação saudável para as crianças na escola. Claro que eu acho legal que se trate de alimentação natural e saudável dentro da sala de aula. MAS a realidade é que  criança aprende de sua professora, em quem ela certamente confia, que comida industrializada faz mal. Que o ideal é consumir muitas frutas. Anota no caderno toda a variedade de frutas que existem, estuda suas vitaminas e nutrientes. E é estimulada a pensar sobre a necessidade de integração do homem com a natureza. Daí desce para o refeitório em uma escola sem nenhuma árvore e servem para ela pão com margarina e leite em pó com achocolatado, que ela tem que devorar em 20minutos antes de subir de novo para a sala de aula fechada. 

 

 Pior do que teorizar sobre frutas: Frutas de borracha.

 

Vamos ensinar os outros a salvarem o mundo

 

Estive em um dia intenso de palestras no Believe.Earth - e um dos painéis tratava de sustentabilidade. Quando o tema é sustentabilidade e integração com a natureza a primeira estratégia dos adultos é pensar que essa é uma tarefa para as crianças darem conta. Então... vamos ensinar as crianças a plantarem, já que os adultos não sabem nem o que é uma minhoca. Então não demorou muito para aparecerem perguntas sobre "como educar as crianças para a importância da sustentabilidade". A Claudia Visoni, e sua mente muito lúcida, imediatamente trouxe luz às essas questões: "eduquem os adultos primeiro, é fácil trabalhar com as crianças, o problema são os adultos que são analfabetos ambientais e naturofóficos!"

 

 

As crianças tem uma relação natural com a natureza. Quem tem que aprender a se relacionar são os adultos. 

 

 

Empurrar a responsabilidade para a criança disfarçada de educação, campanha de conscientização ou "vamos garantir o futuro da nação" é uma medida injusta. Parece educativo, mas que de pedagógico não tem nada. Todos sabem que crianças aprendem pelo exemplo, mas quais são os adultos (pais e mães individualmente em suas famílias, professores coletivamente nas escolas que trabalham, gestores de políticas públicas e diretores de marketing das grandes ongs) que estão dispostos a abordar as MEDIDAS EFICAZES de educação, que são exatamente aquelas que exigem trabalho DO ADULTO e não da criança? 

 

A ideia de proteger os oceanos do plástico é maravilhosa. Mas as crianças não assinam petições, não compram coca cola sozinhas e também não tem poder o suficiente para tomar atitudes regulatórias contra o plástico. Apoiem a regulação da publicidade infantil para que menos crianças sejam expostas à publicidade perniciosa que aumenta o consumismo e portanto a produção de plástico no mundo. 

 

A ideia de favorecer o consumo de frutas é indispensável e alinhada com as melhores balizas para saúde e alimentação. Mas isso não se faz apenas falando sobre frutas na sala de aula, e sim ampliando sua oferta no cardápio da merenda pública de forma radical. Cobrem do governo essa merenda ideal sim. E questionem o oferecimento de pães industrializados em larga escala - todos em embalagens plásticas não recicláveis - vão ajudar o Greenpeace a despoluir os oceanos também.  

 

A ideia de que a natureza é fundamental para a infância é correta e maravilhosa. Hortas escolares e públicas e muita educação ambiental são fundamentais para devolver às crianças seu direito ao futuro - por hora bastante ameaçado pelo iminente colapso. Só que não adianta transferir a urgência de ação para atividades supostamente educativas, mirando na criança como responsável por solucionar esses problemas. Eles não são consumidores, não são fazedores de leis. Não são a autoridade em casa e nem na sala de aula e tem tido poucas oportunidades de aproveitar o presente em nome desse futuro que queremos "ensinar" para eles. 

 

Parem de atormentar as crianças com a incompetência dos adultos.

 

 

 

 

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