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O mundo ideal, que ele exista pelo menos nos meus sonhos

04/06/2018

Reflexiva, pensando na vida. E como as mulheres mães acumulam funções. Eu perguntei no Facebook quais seriam as prioridades das mulheres que me acompanham, entre cuidar de filhos, de casa, trabalhar, estudar, exercer controle social. Várias delas tem muito categoricamente que priorizam (ou gostariam de poder priorizar) o trabalho. Outras sem dúvida os filhos. Outras, como eu, teriam mais dificuldade de escolher entre uma coisa e outra. Eu queria poder fazer tudo. Atualmente até faço, mas não sem grandes prejuízos emocionais, de saúde e de qualidade para as minhas atuações. 

 

Então achei bom escrever sobre o mundo ideal. Para que ele exista pelo menos nos meus sonhos. 

 

Tem apenas uma coisa que eu (pessoalmente) não gostaria de fazer, que é o planejamento doméstico. As outras eu acho que tem como conjugar tudo, num cenário utópico, onde seríamos vistas como gente, e não como peças de uma engrenagem.

 

Como eu queria a vida para mim no mundo dos meus sonhos. Depois me conta se atende os seus.

 

- 4h de trabalho bem remunerado com todos os direitos e focado em características peculiares da mulher, mãe trabalhadora ou seja: férias junto com as férias dos filhos, fim de semana sagrado, flexibilidade de horário para emergências com crianças sem chantagem ou constrangimento por parte dos patrões, 13o, licença parental remunerada... enfim, o combo todo do legislado sobre o negociado.

 

 

- 3h de estudos, tudo em instituição pública, EAD, descentralizado em grupos de estudos, acesso irrestrito a todos os títulos em português já convertido para Kindle (hahaha), aprendendo nas bases e sem muito apego às formalidades, pelo simples prazer de engrandecer a alma e o mundo, com a flexibilidade que as mães precisam, sem coincidir prova da faculdade com a primeira festa junina da escola da caçula (sim. a crueldade com as mães mora nos detalhes).

 

 

- 3h de filhos - na integralidade, sem dividir com outras funções. Pra curtir e cuidar, ou seja, comer junto, brincar, dar banho, dar conta das coisinhas do cotidiano das crianças, acompanhar lição, fazer dormir. E conta velar o sono, tá bom sociedade? Filhos continuam sendo nossos na madrugada, oq significa 8h no mínimo sob responsa das mães também (para quem já saiu fazendo julgamentos acerca da maternidade alheia, estamos falando de 11h de 24h sob minha total e completa responsabilidade).

 

 

- 2h de relações e entes queridos - nossos pais estão ficando velhinhos, e quem vai cuidar deles são as mulheres ou filhas, majoritariamente. Não conseguimos cuidar dos nossos anciãos se estamos trancadas nas obrigações de manter o sistema rodando, contra nós. Nós precisamos de amigos. Nós precisamos de tempo pra cultivar relações. Não conseguimos fazer isso com saúde trabalhando pra (não) conseguir pagar boleto e planejando o mercado do mês.

 

 

- 1h de cuidados pessoais. Eu ia fazer terapia, ginástica, leitura de memes e procrastinação diários, já que tenho um trabalho bem remunerado e com direitos. Sem nenhuma outra coisa com ninguém. Agora pensando bem, tvz eu gostasse de 2h para fazer isso. Daria para ver um filme inteiro, entre outras coisas. Hehe.

 

 

- 2h reversíveis de controle social. Se eu morasse numa sociedade justa com menor necessidade de se acompanhar tudo em todas as instâncias para que não nos esmaguem os direitos, eu revertia esse tempo para a arte. Ou mais tempo com meus filhos ou quem sabe para voluntariado mesmo para as causas que devem ter as sociedades organizadas em atender as necessidades das pessoas antes dos interesses do sistema. Tipo, eu ia sei lá, eu não sei que causas são essas. Plantar orquídeas nas árvores urbanas. Organizar grandes saraus de músicas à capella no meio da rua. Ou talvez eu usasse esse tempo para deslocamento mesmo - sem roubar horas dos outros setores. Com 2h ao dia posso me movimentar pela cidade sem carro. Mobilidade ativa também requer tempo e não deixa de ser uma causa.

 

 

 

- 1h de serviços domésticos apenas para manter o básico habitável, ou seja, arrumação simples, responsabilidade com o lixo, e limpeza de banheiros. Cozinha, lavanderia, compras, cardápio, balanceamento nutricional, logística, planejamento doméstico tudo isso deveria ser dividido com o estado. Lavanderias públicas, restaurantes públicos (veganos glutenfree, já que o céu é o limite, vaiplaneta) em todos os bairros. Se as mulheres passassem mais de UMA hora no dia na execução de serviços domésticos, precisariam ser BEM remuneradas, porque evidentemente atrapalharia as outras coisas, e nos impediria de nos mover na sociedade.

 

 

 

- 8h de sono (inegociável, mas em modo compartilhado com o sono dos filhos, se eles me acordam de madrugada, eu assumo sozinha, não tem problema, já que no dia seguinte sei que não serei oprimida no trabalho, e minha mente está tranquila).

 

 

Isso eu to falando de segunda à sexta. Aos fins de semana, só lazer, diversão, filhos, amigos, procrastinação.

 

Claro que, como não podia deixar de ser, isso tudo rolando numa cidade onde todos os serviços básicos são de altíssima qualidade e públicos. Livre de racismo, machismo, classismo, xenofobia. Acesso irrestrito à interrupção voluntária da gravidez como forma de erradicar a maternidade compulsória, de modo que todos aqueles que não querem dispor de seu tempo para cuidar de filhos, possam de verdade e com a maior legitimidade fazer a escolha de não tê-los. Equipamentos de educação, saúde, transporte, lazer, (além da lavanderia e dos restaurantes dos sonhos), estão disponíveis e acessíveis para todas as pessoas indistintamente. Uma cidade devidamente urbanizada, todinha arborizada e com jardins comestíveis para todo canto, com ciclovias, metrô e ponto de ônibus, em todas as vias, que ligam as escolas, aos postos, aos parques. Pouquíssimos carros, só para emergências. E onde as mulheres-mães com crianças, os idosos, as pessoas com deficiência, e as crianças são atendidas com a prioridade e respeito que merecem.

 

Eu sou assim, uma sonhadora.

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